Jerônimo critica pressão do mercado sobre Lula e lembra reação no 1º turno
À coluna, governador afirmou que mercado reage a Lula em períodos eleitorais e defende conciliação entre equilíbrio fiscal e programas

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou as reações do mercado financeiro em períodos eleitorais e afirmou que a pressão dos investidores sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é novidade.
Para o petista, há uma reação recorrente do mercado sempre que Lula disputa ou vence uma eleição.
“Não é a primeira vez que isso acontece. Sempre que o presidente Lula disputa uma eleição ou vence uma eleição, acontece uma reação do mercado”, afirmou o governador à coluna.
Ao comentar as cobranças por controle dos gastos públicos e equilíbrio fiscal, Jerônimo defendeu que a responsabilidade com as contas não é incompatível com a ampliação de programas sociais. Segundo ele, é possível conciliar estabilidade fiscal com investimentos em políticas voltadas à população mais vulnerável.
O governador citou como exemplo a reação do mercado financeiro após a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Na avaliação dele, naquele episódio, a movimentação não foi motivada apenas por expectativas, mas também por operações que já estavam “contratadas”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesJerônimo também saiu em defesa da condução econômica de Lula e afirmou que o presidente já demonstrou, em outras gestões, capacidade de manter relações de confiança com o mercado nacional e internacional.
O petista ponderou ainda que fatores externos, como o cenário político dos Estados Unidos, as taxas de juros e os efeitos da reforma tributária, precisam ser considerados na análise da economia brasileira. Para Jerônimo, o equilíbrio das contas públicas deve oferecer segurança aos investidores e garantir condições de rentabilidade aos empresários, mas não pode significar que o Estado abra mão de seu papel na área social.
“Uma estabilidade fiscal não se contradiz com as ações dirigidas para a área social”, declarou.
Veja a resposta na íntegra:
Primeiro, essa não é a primeira vez que o mercado se dirige ao presidente Lula ou à Dilma, quando foi presidenta, fazendo questões. Agora, vejam: é preciso analisar o comportamento desse mercado, que precificou a eleição de Bolsonaro. A possibilidade não foi só expectativa. Tanto é que a bolsa de valores e o dólar entraram em uma explosão na segunda-feira, porque já havia contratos feitos.
Então, existia a expectativa, já havia ações concretas. Não eram só expectativas. Então, não é a primeira vez que isso acontece. Sempre que o presidente Lula disputa uma eleição ou vence uma eleição, acontece uma reação do mercado.
Segundo elemento, todo mundo conhece o presidente Lula. Ele não é de fazer cavalo de pau. Já demonstrou três vezes que o mercado internacional, as relações internacionais e o mercado nacional podem confiar, porque, todas as vezes em que foi governante, ele não fez, por exemplo, o sequestro da poupança, como foi feito. Lula nunca fez isso.
Existem outros elementos aos quais precisamos estar atentos e que podem influenciar: as relações internacionais. O que vimos agora é que as eleições nos Estados Unidos deverão trazer impactos, de acordo com o resultado, seja no valor do mercado, seja nas taxas de juros. Isso impacta as relações nacionais. A própria reforma tributária ainda é uma incógnita em um conjunto de questões relacionadas à formação de preços. Portanto, existem alguns elementos que precisamos ponderar para garantir que o presidente Lula tenha a estabilidade necessária.
Por último, dizer que não dá para imaginar que são coisas diferentes. A estabilidade fiscal não se contradiz com as ações dirigidas para a área social. É possível fazer as coisas dentro de um equilíbrio fiscal, para dar naturalmente conforto aos investidores e garantir que os empresários terão rentabilidade adequada. Mas isso não quer dizer que o Estado brasileiro abra mão de seu papel no que diz respeito às ações e reparações sociais.


