
Milena TeixeiraColunas

Como uma deputada do PT aparece no roteiro no filme de Bolsonaro
Deputada que protagonizou embate com o ex-presidente Jair Bolsonaro é retratada como “Glória” em filme sobre a trajetória do ex-mandatário
atualizado
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O roteiro do filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) revive um dos episódios mais polêmicos de sua passagem pela Câmara dos Deputados: o embate com a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).
Gravado no fim do ano passado, Dark Horse tem provocado uma crise política na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O filho do ex-presidente passou a enfrentar desgaste após o The Intercept Brasil divulgar áudios em que ele aparece cobrando dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar outra produção ligada à trajetória do pai.
No roteiro, a parlamentar é chamada de Glória. Ela aparece interrompndo uma entrevista do protagonista, o ex-presidente, nos corredores da Câmara.
Na cena, Bolsonaro defende que menores envolvidos em crimes como estupro e assassinato sejam julgados como adultos. Em meio à gravação, Glória invade a cena aos gritos: “E você? Você é um estuprador!”.
O texto descreve uma reação imediata do ex-presidente, que estende o braço para conter a aproximação da adversária política.
Em seguida, o personagem diz :“Eu não estuprei ninguém, e você sabe disso! E se eu estuprasse, eu não estupraria você, isso com certeza!”
A sequência termina com a entrada do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que surge para apartar a discussão entre os dois parlamentares.
O que aconteceu na vida real?
O episódio retratado no filme faz referência a um caso que terminou na Justiça envolvendo Bolsonaro e aMaria do Rosário.
Em 2014, durante entrevista ao jornal Zero Hora, Bolsonaro afirmou que a parlamentar “não merece” ser estuprada “porque é muito ruim” e “muito feia”. Na ocasião, o então deputado declarou: “Ela não faz meu gênero. Jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar porque não merece”.
A declaração deu origem a uma disputa judicial que se arrastou por quase uma década. O processo acabou arquivado em 2024, após a 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) reconhecer a prescrição do caso.
Com a decisão, foi encerrada de forma definitiva a ação em que o ex-presidente era acusado de incitação ao crime de estupro em razão das declarações contra Maria do Rosário.
Leia o roteiro completo:
https://images.metroimg.com/2026/05/7th-draft-dark-horse-10-7-2025-_comparison.pdf






