Vantagem de Flávio na corrida ao Planalto esfria votação da PEC da 6x1
Planalto teme atraso na PEC com Senado esvaziado e sessões virtuais. Relator Omar Aziz, em campanha no Amazonas, só volta se houver votação
06/10/2026 10:01

O relator da PEC que acaba com a escala 6×1, senador Omar Aziz, segue em campanha pelo governo do Amazonas. Ele deve ir a Brasília se Davi Alcolumbre decidir mesmo levar a proposta a voto. A dúvida é se isso vai acontecer.
Articuladores do governo Lula já contam com mais dificuldade para aprovar a matéria depois do avanço da direita no primeiro turno. Lula terminou a votação atrás de Flávio Bolsonaro, e o campo governista perdeu terreno nos estados, na Câmara e principalmente no Senado.
O temor no Planalto é que Alcolumbre desacelere a tramitação. A sessão desta semana foi agendada quando os levantamentos indicavam Lula ligeiramente à frente. Naquele cenário, aprovar a PEC às vésperas da eleição ajudaria o presidente na reta final.
O resultado das urnas virou esse cálculo. Flávio saiu do primeiro turno em vantagem difícil — mas não impossível — de ser revertida em quatro semanas, e Davi recalibrou a postura. Ele ainda fala em manter o debate, mas diz que precisa convencer a maioria dos senadores. Antes de pautar a proposta, quer conversar com os aliados do candidato do PL, segundo apurou a coluna.
Praticamente sem chance de um novo mandato no comando do Senado com Flávio presidente, Davi pode usar a negociação para garantir posições relevantes na Casa a partir de 2027.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA oposição, por sua vez, ganhou força para pressionar pelo adiamento. Há também a avaliação de que senadores da oposição e do Centrão, já eleitos para mandatos de oito anos, ficam menos expostos ao custo de votar contra ou adaptar a proposta.
O clima no Congresso pesa na mesma direção. Com os parlamentares ainda nos estados, o plenário esvaziado e as votações em formato remoto, há pouco espaço para uma proposta desse porte avançar agora.
Lideranças governistas se reúnem nesta terça (06/10) para definir a estratégia, e a PEC segue como prioridade absoluta do Planalto. O desfecho deve ficar claro até quinta-feira (08/10). Se Davi não der sinal até lá, a análise da PEC tende a ser empurrada mais uma vez.




