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Matheus Leitão

Pastor de Flávio Bolsonaro diz: “Deus odeia o culto à Rainha dos Céus”

Autor de A Bomba, JB Carvalho critica a devoção católica a Maria; Flávio foi batizado na igreja fundada pelo bispo

26/09/2026 18:33
Luis Nova/Metrópoles
JB Carvalho e Flávio Bolsonaro

O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja frequentada pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), condena o culto à Rainha dos Céus em um texto atribuído ao seu livro A Bomba: A verdade pode ser explosiva, publicado em 2001 pela editora Doxxa.

Na passagem reproduzida pelo blog do pastor Sérgio Lourenço, JB Carvalho afirma: “Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”.

Em um vídeo publicado nas redes sociais no dia 24 de agosto de 2026, Flávio declarou que “se for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, afastando qualquer alusão à crença católica que vê a Rainha dos Céus como intercessora, o que motivou reações de fiéis do catolicismo nas redes, chegando ao ápice de homilias vindas diretamente de bispos da basílica de Nossa Senhora Aparecida.

A relação do senador com a instituição religiosa de JB Carvalho começou antes de sua pré-candidatura à Presidência da República.

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Em 2024, Flávio e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações, em Brasília. Em 7 de dezembro de 2025, dois dias depois de anunciar sua pré-candidatura, o parlamentar escolheu a mesma igreja para sua primeira aparição pública após o anúncio. Flávio é frequentador assíduo da igreja.

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Bolsonaro, Feliciano e JB Carvalho
Bia Kicis, JB Carvalho e Michelle Bolsonaro
Bolsonaro recebeu líderes evangélicos, incluindo JB Carvalho, em evento no Planalto, em 2020
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Bolsonaro recebeu líderes evangélicos, incluindo JB Carvalho, em evento no Planalto, em 2020

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Bolsonaro, Feliciano e JB Carvalho
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Bolsonaro, Feliciano e JB Carvalho

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Bia Kicis, JB Carvalho e Michelle Bolsonaro
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Bia Kicis, JB Carvalho e Michelle Bolsonaro

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O que JB Carvalho escreve sobre a Rainha dos Céus

No trecho reproduzido pelo pastor Sérgio Lourenço, Carvalho utiliza os capítulos 7 e 44 do livro bíblico de Jeremias para condenar a adoração à Rainha dos Céus.

Segundo sua interpretação, os habitantes de Judá provocaram a ira divina ao oferecer incenso, alimentos e libações a uma divindade feminina. JB Carvalho sustenta que o povo atribuía a essa entidade a prosperidade e o suprimento de suas necessidades, em lugar de reconhecer o Deus de Israel.

Carvalho relaciona essa prática à destruição de Judá, ao exílio na Babilônia e aos castigos descritos no Antigo Testamento.

Para ele, a adoração à Rainha dos Céus representa uma disputa pela glória reservada exclusivamente a Deus.

As críticas à devoção católica a Nossa Senhora

Em outros trechos atribuídos a A Bomba, Carvalho associa a devoção católica a Maria a antigos cultos pagãos.

Na passagem intitulada A Lenda, o autor apresenta uma narrativa envolvendo Ninrode, Semíramis e Tamuz. Segundo essa versão, Semíramis teria difundido o culto a Ninrode após sua morte e apresentado o filho Tamuz como sua reencarnação. A personagem teria, assim, recebido o título de Rainha dos Céus.

O bispo associa a representação de uma mãe segurando uma criança à iconografia de Maria com o menino Jesus.

Em outro trecho, intitulado Voltemos à História, Carvalho sustenta que antigas celebrações dedicadas a divindades femininas teriam sido incorporadas às festas marianas. Ele também relaciona o desenvolvimento de orações e práticas devocionais católicas à permanência desses cultos.

Essas afirmações constituem a interpretação religiosa do autor. A suposta origem da devoção católica a Maria no culto a Semíramis não é um fato histórico estabelecido. A Igreja Católica distingue a veneração dedicada a Nossa Senhora da adoração, reservada exclusivamente a Deus.

As reproduções consultadas documentam a condenação do culto à Rainha dos Céus e a associação feita pelo bispo com a devoção mariana. Entretanto, não permitem confirmar como declaração literal a afirmação de que todas as orações católicas dirigidas a Maria seriam recebidas por demônios.

Flávio levou livro de JB Carvalho a Jair Bolsonaro na prisão

A relação da família Bolsonaro com JB Carvalho também aparece nos livros levados ao ex-presidente durante as visitas à prisão.

Em 25 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro chegou à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para visitar o pai, carregando um exemplar de Metanoia: A chave está em sua mente, de autoria do bispo. A informação foi registrada pela Folha de S.Paulo.

Pouco mais de um mês depois, em 6 de janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro também levou um livro de JB Carvalho ao marido. A obra escolhida foi A jornada de meninos a homens, publicada em 2019, que aborda a formação masculina sob uma perspectiva cristã.

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Michelle Bolsonaro chega a Policia Federal para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro
Livro que Michelle levou para o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro
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Livro que Michelle levou para o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro

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Michelle Bolsonaro chega a Policia Federal para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro
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Michelle Bolsonaro chega a Policia Federal para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro

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Os episódios documentam a circulação de obras do bispo entre integrantes da família Bolsonaro. Somados ao batismo de Flávio e à sua participação em cultos da Comunidade