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Mario Sabino

Zé Dirceu só sai de 1968 para tomar vinho caro com o amigão Kakay

Zé Dirceu assina uma carta aos militantes do PT, que irão escolher o novo presidente do partido. Só tem piada velha

27/05/2025 11:40, atualizado 27/05/2025 14:23
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Breno Esaki / Metrópoles
Zé Dirceu -- Metrópoles

Zé Dirceu assina uma carta aos militantes do PT, que irão escolher o novo presidente do partido.

Na carta, o guerreiro do povo brasileiro faz uma espécie de chamamento às armas.

“É preciso uma verdadeira mudança na vergonhosa concentração de renda e no cartel bancário financeiro, na política de juros e nas metas da inflação, que exigem uma radical reforma tributária e financeira, capaz de pôr fim à apropriação e expropriação da renda nacional pelo capital financeiro e agrário, num circuito entre o Banco Central e a Faria Lima, que cada vez mais concentra renda, via os juros altos únicos no mundo”, diz Zé Dirceu.

É como se o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não tivesse sido escolhido por Lula — e é como se os juros altos não fossem a única forma de o Banco Central segurar a inflação causada pela gastança desenfreada do governo Lula. Gastança que acaba favorecendo os rentistas e prejudicando os pobres.

Zé Dirceu também fez outra piada velha:

“Temos a tarefa de praticamente reconstruir o PT depois de uma década de atraque frontal, de perseguição e mesmo tentativas de cassação de nosso registro, sem falar no golpe parlamentar-jurídico que sequestrou o mandato da nossa presidenta Dilma e da infame prisão do nosso companheiro Lula num processo ilegal, sumário e político, felizmente já anulado pelo Supremo Tribunal Federal. A tarefa de unificar toda a esquerda numa frente que vá além do PV e do PCdoB para enfrentar o PL e o bolsonarismo.”

No mundo paralelo de Zé Dirceu, não existiram mensalão, pedaladas fiscais e petrolão. Ele e os seus companheiros não tiveram direito ao devido processo legal e foram perseguidos politicamente. O PT não canibalizou a esquerda brasileira, transformando os demais partidos do seu espectro ideológico em meras linhas auxiliares. A frente ampla democrática que deu o terceiro mandato a Lula não foi uma farsa política.

A carta tem o seu ponto alto, no entanto, quando Zé Dirceu diz o seguinte:

“Ao PT e às esquerdas resta a tarefa histórica de concluir a revolução social brasileira inacabada.”

Eu gostaria de entender qual é a revolução social brasileira de que fala Zé Dirceu, juro. A revolução do assistencialismo eleitoreiro? A revolução do analfabetismo funcional? A revolução do crime organizado? A revolução da megacorrupção?

Zé Dirceu só sai de 1968, o ano que não terminou, para tomar vinho caro com o amigão Kakay.