Mario Sabino

Os sumiços de Xi Jinping: algo está acontecendo em Pequim

A ausência do líder chinês Xi Jinping na cúpula do Brics é apenas um entre muitos sinais que apontam nessa direção

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Presidente da China, Xi Jinping -- Metrópoles
1 de 1 Presidente da China, Xi Jinping -- Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Algo está acontecendo em Pequim, e a ausência do líder chinês Xi Jinping na reunião de cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, é apenas um entre muitos sinais que apontam nessa direção.

Os jornalistas que acompanham de perto o que acontece na China, como Federico Fubini, do Corriere della Sera, estranham que Xi Jinping tenha sumido por vários dias, entre 21 de maio e 5 de junho e entre 24 de junho e 7 de julho. Não há indícios, até o momento, de que os sumiços se devam a problemas de saúde.

Além de ele ter desaparecido dos holofotes — inclusive de um evento do Conselho de Estado que não lhe fez nenhuma menção—, a imprensa oficial chinesa simplesmente deixou de citar o seu nome entre 2 e 5 de junho, o que está longe de ser normal, em se tratando do homem mais poderoso produzido pelo sistema chinês desde Deng Xiaoping.

Outros acontecimentos incomuns ocorreram nos últimos meses. Entre eles, expurgos no comando do exército de figuras historicamente ligadas a Xi Jinping, sob “suspeita de graves violações da disciplina e da lei”, fórmula frequentemente usada para quem caiu em desgraça política.

Os expurgos partiram de Xi Jinping? Pode ser. Em regimes ditatoriais comunistas, é comum que a paranoia do chefão acarrete quedas de áulicos que passaram a ser vistos como ameaças. Mas pode ser também que os expurgos tenha sido obra do general Zhang Youxia, o segundo homem mais poderoso da China.

Como nota Federico Fubini, Zhang Youxia foi figura decisiva para que Xi Jinping fosse reeleito líder chinês pela terceira vez, algo que não acontecia desde Mao Tsé-Tung.

O general sempre se mostrou subserviente, como prevê a rigidez hierárquica do regime, e por isso mesmo chamou ainda mais a atenção que, em recente reunião plenária do Partido Comunista, Zhang Youxia tenha dado as costas para Xi Jinping e nem sequer o cumprimentado.

Nada disso significa necessariamente que o líder chinês esteja para cair, como observa Federico Fubini. No entanto, todos esses sinais indicam que algo de anormal está em curso em Pequim — e o crescimento mais lento da economia, a insatisfação dos jovens com a falta de perspectivas e a guerra comercial que Donald Trump move contra o país certamente não contribuem para a estabilidade de Xi Jinping no poder.

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