Mario Sabino

O Brasil e o clubinho autoritário do Brics são vergonha internacional

Desde que a ditadura de Getúlio Vargas flertou com o nazifascismo, não se via o Brasil fazer papel tão vexaminoso no plano internacional

atualizado

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Rafa Pereira/Brics Brasil
Presidente Lula na cúpula dos Brics -- Metrópoles
1 de 1 Presidente Lula na cúpula dos Brics -- Metrópoles - Foto: Rafa Pereira/Brics Brasil

Desde que a ditadura de Getúlio Vargas flertou com o nazifascismo, não se via o Brasil fazer um papel tão vergonhoso no plano internacional. O Brasil de Lula.

No comunicado da cúpula do Brics, esse clubinho de nações autoritárias nas quais ninguém quer morar, o país aliou-se às ditaduras companheiras para condenar a Ucrânia por ataques à Rússia, além de condenar Israel por ter bombardeado o Irã.

Foi um passo além da outrora virtuosa diplomacia brasileira e do presidente que a comanda: antes, igualavam agressor e agredido; agora, condenam o agredido por reagir ao agressor.

O Itamaraty está de quatro para Lula e para o ideólogo Celso Amorim, que faz as vezes de assessor especial, mas é quem comanda o Ministério das Relações Exteriores. Em entrevista a um jornal paulistano, o chanceler formal Mauro Vieira disse que o Brics era “o acontecimento mais importante da política externa dos últimos anos”.

Na verdade, o Brics é um instrumento para a China e a Rússia manipularem integrantes do bloco em proveito exclusivamente próprio. Exemplo disso é essa condenação aos ucranianos. Os chefões Xi Jinping e Vladimir Putin nem precisaram estar presentes na cúpula do Rio de Janeiro para fazer valer os seus interesses.

Mauro Vieira também afirmou que “quando o Brasil fala pelo Lula, ele é, sim, ouvido. Cala fundo. Não pense que outros falam e têm a mesma importância. Ele é uma grande personalidade global, mundial. É ouvido e levado em conta em todo o mundo”.

Bajular o chefe não muda a verdade sobre o chefe: Lula não tem mais a menor importância nos fóruns mundiais, se é que um dia realmente teve e tudo não passou da imagem de lente de aumento gerada pela imprensa amiga.

As suas demonstrações de apreço a Vladimir Putin o apequenaram até aos olhos de boa parte da sua claque tradicional, a esquerda europeia. O presidente brasileiro tornou-se uma figura internacional não muito mais do que folclórica, como demonstrou, aliás, o seu papelão midiático na reunião de cúpula do G7.

A ideia estapafúrdia de Lula de abolir o dólar das transações comerciais entre os países do bloco, que só serviria para fortalecer a China e para ajudar a Rússia e outros marginais geopolíticos a contornar sanções que lhe foram impostas pelas democracias ocidentais, foi aposentada de vez pela reação furibunda de Donald Trump.

O porrete dos Estados Unidos voltou a cantar agora. O presidente americano publicou na sua rede social que os países alinhados “às políticas antiamericanas do Brics” pagarão uma tarifa adicional de 10%. Quem pode mais manda mais, e vamos pagar um preço pelo antiamericanismo.

O antiamericanismo não é sinal de independência em relação ao grande vizinho do norte. Se o americanismo é a doença infantil do direitismo, como demonstrado por Jair Bolsonaro, o antiamericanismo é a doença infantil do esquerdismo. Ela acomete Lula, Celso Amorim e os seus miquinhos amestrados no Itamaraty.

Aliar-se automaticamente a eixos do mal para fazer frente aos Estado Unidos não traz vantagem nenhuma ao país. Pelo contrário, o Brasil passou a ser objeto de desconfiança das democracias ocidentais, com todas as desvantagens diplomáticas e comerciais que isso pode implicar.

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