Mario Sabino

O monarca absoluto Alexandre de Moraes abre outro inquérito sigiloso

Moraes não vê problema no contrato fabuloso que a sua mulher firmou com o Banco Master. O que o chateia é que o país tenha sido informado

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Ministro Alexandre de Moraes -- Metrópoles
1 de 1 Ministro Alexandre de Moraes -- Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Alexandre de Moraes abriu mesmo, de ofício, outro inquérito sigiloso, agora para investigar se houve vazamento de dados financeiros dele e da sua família pela Receita Federal ou pelo Coaf, assim como o de informações sobre parentes do colega Dias Toffoli.

Ele está chateado porque a imprensa revelou que a sua mulher advogada assinou um contrato com o Banco Master, sem escopo definido, no valor de inéditos e fabulosos R$ 130 milhões de reais.

O país foi inteirado, ainda, de que, graças aos dividendos gerados pelo contrato multimilionário, a doutora Viviane Barci de Moraes passou a ser dona de uma patrimônio pessoal de quase R$ 80 milhões de reais.

Quais são as grandes ações que o escritório dela conduz para o Master? Nenhuma, ao que se tem até o momento. Não figura nem mesmo entre os escritórios que defendem esse extraordinário Daniel Vorcaro no inquérito que apura as fraudes cometidas pelo “banqueiro” e a sua turma da pesada.

A única iniciativa de um Moraes em prol do Master teria sido do próprio ministro. Já na vigência do contrato do escritório da sua mulher com o banco, ele teria feito pressões sobre o BC para que o Master pudesse ser vendido para o BRB.

Alexandre de Moraes negou veementemente que tenha feito essas pressões, e foi só.

O ministro não se dignou a dar qualquer explicação sobre o contrato. Aparentemente, Moraes não vê problema na mulher de um ministro do STF receber uma bolada de Mega-Sena de um banco enroladíssimo na Justiça para não fazer nada de compatível que seja visível a olho nu.

O que incomoda Moraes é apenas que o Brasil inteiro tenha sido informado sobre a existência do contrato magnífico — e, assim, tome outro inquérito sigiloso aberto de ofício, como se fosse o STF o atingido, não o ministro, na sua pessoa física, o interessado em causa própria.

Se Moraes acha que houve vazamento ilícito de dados financeiros seus e da sua família, o correto seria acionar o Ministério Público para que, caso se chegasse à conclusão da existência de indícios suficientes de crime, o inquérito aberto corresse na primeira instância.

O fato incontornável, porém, é que desde a instauração do inquérito das fake news, em 2019, sem data para acabar, o sistema acusatório foi mandado às favas.

A partir dele, Alexandre de Moraes, em especial, como relator de todos esses inquéritos que supostamente visam a salvar a democracia brasileira, adquiriu um poder só comparável ao do monarca absoluto das Ordenações Filipinas, o código de direito português que vigorou no Brasil até o século XIX.

Como a Constituição Federal não atribui poder absoluto a ninguém, o que se tem é um desvio intolerável no sistema democrático do qual Alexandre de Moraes arrogou-se o título de grande defensor. Ele pode tudo, a sua família pode tudo, só que não. O poder de Alexandre de Moraes é incompatível com a democracia, e resta saber até quando os seus colegas de tribunal e os integrantes dos outros poderes fingirão que nada está acontecendo de errado.

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