
Mario SabinoColunas

O Irã pediu penico. O resto é propaganda enganosa
A propaganda do Irã pode mentir sobre ter vencido Israel e os Estados Unidos, mas o fato é que Ali Khamenei continua escondido em um buraco
atualizado
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O Irã inventou o ataque militar “desculpe qualquer coisa”, como esse feito ontem à base militar americana em Omã, em resposta ao bombardeio das instalações nucleares do país ordenado por Donald Trump.
Não é a primeira vez que o regime iraniano avisa o atacado de que irá atacá-lo. O objetivo é reduzir o risco de que haja vítimas fatais e, assim, evitar revanches devastadoras, mantendo portas de negociação abertas.
Se um ataque “desculpe qualquer coisa” não é para valer, para que ele serve, então?
Serve para fazer propaganda interna enganosa. Como tem o controle das fontes de informação, inclusive da internet, o regime vende a ideia falsa aos iranianos de que reagiu militarmente à altura aos Estados Unidos.
“Nós advertimos os nossos inimigos que a era de atacar e fugir acabou”, disse o porta-voz das Forças Armadas do país na televisão, ao som de músicas patrióticas e com imagens dos mísseis lançados contra a base militar americana.
Essa gente também mente sobre os mísseis lançados contra Israel. Veja-se, por exemplo, o comunicado que a Guarda Revolucionária Iraniana divulgou logo após o presidente americano ter anunciado o cessar-fogo com Israel:
“Nós atingimos centros militares e logísticos do regime sionista, infligindo uma lição histórica e inesquecível ao inimigo.”
Na realidade, os mísseis iranianos que conseguiram ultrapassar os três domos de proteção antiaérea de Israel vitimaram civis que estavam em suas casas.
É antigo, muito surrado e de autoria desconhecida o adágio de que “na guerra, a primeira vítima é a verdade”. Mas a propaganda mentirosa do governo, qualquer uma, é muito mais fácil de ser desmascarada quando se vive em uma democracia, como é o caso de Israel, do que quando se está sob uma ditadura, como é o caso do Irã.
O cessar-fogo anunciado por Donald Trump dará margem a que o regime iraniano se declare falsamente vencedor aos cidadãos do país — e que os sicários que lhe sobraram, depois da ação fulminante de Israel sobre as cadeias de comando do Irã, dediquem-se a oprimir ainda mais os oposicionistas.
O saldo final dessa guerra no plano externo, se é que ela chegou mesmo ao seu fim, é que o programa nuclear iraniano foi interrompido por um prazo que Israel julga suficiente para não se sentir ameaçado no curto prazo e que o Irã mostrou não ser páreo para Israel, seja na capacidade militar, como nos serviços de inteligência.
Não menos importante é que os Estados Unidos romperam o tabu geopolítico que os impedia de atacar o Irã, como se isso pudesse levar o caos ao Oriente Médio. Aconteceu o contrário: amedrontado, o regime iraniano, com receio de acabar derrubado, promoveu um ataque “desculpe qualquer coisa” e pediu penico.
O que se conclui a partir disso é que a falta de ação direta americana, ao longo dos anos, foi o que fez o Irã se sentir livre para patrocinar grupos terroristas e levar adiante o seu plano de produzir bombas atômicas, enganando os ingênuos ocidentais de que estava respeitando o acordo que havia firmado.
A propaganda iraniana pode mentir sobre ter derrotado Israel e os Estados Unidos, e a imprensa amiga ocidental já a ajuda, , mas o fato incontornável é que o aiatolá Ali Khamenei continua escondido em um buraco, sem contato direto ou eletrônico com os seus comparsas, tremendo de medo de ser localizado pelo Mossad. Só sairá dele se houver garantias de que não será morto por quem ele diz ter vencido.