Mario Sabino

O “crime de alta traição à pátria” é patriotada eleitoreira do PT

O “crime de alta traição à pátria”, de Lindbergh, é boné legislativo do PT, uma patriotada eleitoreira propiciada por Eduardo Bolsonaro

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líder do PT, Lindbergh Farias Imagem colorida de Lindbergh Farias e Eduardo Bolsonaro - Metrópoles
1 de 1 líder do PT, Lindbergh Farias Imagem colorida de Lindbergh Farias e Eduardo Bolsonaro - Metrópoles - Foto: Reprodução

Armado do seu bodoque, o deputado Lindbergh Farias, do PT, o mais reto e vertical partido brasileiro, apresentou um projeto de lei que propõe pena de até 40 anos de prisão para quem cometer “crime de alta traição à pátria”.

Fiquem calmos: o projeto não considera alta traição à pátria desviar bilhões dinheiro público, aparelhar e depenar estatais ou falsificar as contas governamentais para vencer eleição.

Na justificativa de pena tão inclemente para os Calabares e os Silvérios dos Reis, o petista disse aos seus pares na Câmara:

“Os senhores podem pensar que é exagero. Em vários estados norte-americanos, o crime de traição à pátria é o fuzilamento. É assim que se trata o traidor da pátria.”

A oposição apelou logo para a quebra de decoro, mas o petista afirmou que foi só uma referência e coisa e tal. Mas há um atavismo sob a referência, que talvez tenha escapado ao próprio deputado: a esquerda tem afinidades eletivas históricas com o paredón. É para onde ela costumava levar  adversários nos bons tempos revolucionários. Ou para o gulag, que era uma morte homeopática.

Desnecessário dizer, mas digo mesmo assim, que a circunstância a ressuscitar os instintos primitivos de Lindbergh se chama Eduardo Bolsonaro, a vivandeira que foi bulir com os granadeiros trumpistas nos seus bivaques.

O petista, no entanto, está sendo injusto com a vivandeira. Com as tarifas e a inclusão de Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, obtidas junto ao amigo americano, Eduardo Bolsonaro não conseguirá livrar o seu pai da cadeia, mas deu um sopro de vida a Lula, que andava com a aprovação em baixa.

Sem medo de ser feliz, o que no mais das vezes significa abraçar o ridículo, o chefão petista aproveitou a oportunidade e tomou da direita a bandeira do patriotismo.

Lula passou a agitá-la diante das fuças bolsonaristas, assessorado pelo marqueteiro Sidônio, criador do slogan originalíssimo sobre o Brasil ser dos brasileiros, inscrito em bonés igualmente inovadores.

O projeto de Lindbergh é só um boné legislativo. Está no campo das patriotadas eleitoreiras propiciadas por Eduardo Bolsonaro. Na verdade, o PT deveria até agradecer ao filho de Jair. Como se dizia na Inglaterra, sejamos patriotas sem esquecer que somos cavalheiros, por favor.

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