Mario Sabino

Lula “cada vez mais esquerdista, mais socialista”

Como todo esquerdista, Lula acha que o dinheiro do assistencialismo nasce em árvores socialistas, não é fruto gerado no pomar do capitalismo

atualizado

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Imagem colorida do presidente Lula chorando - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida do presidente Lula chorando - Metrópoles - Foto: Canal Gov/Reprodução

Lula comemorou o fato de o Brasil ter saído do Mapa da Fome.

“O Brasil pode fazer mais, e a gente pode melhorar muito a situação do país. A gente pode fazer muito mais coisa do que estamos fazendo. Esse é o desafio de quem já foi eleito 3 vezes. Cada vez mais eu tenho que fazer mais. Significa que cada vez vou ficar mais esquerdista, mais socialista e vou ficar achando que a gente pode mais”, disse o nosso Che Guevara com gravata de grife.

Empolgado com si próprio, como de hábito, ele foi também o nosso Robespierre tropical:

“Num governo que tem gente passando fome, tem que decapitar o presidente.”

Eu me pergunto o que aconteceria se fosse Jair Bolsonaro a usar uma imagem dessas. Eu me pergunto e me respondo, claro.

O Brasil saiu do Mapa da Fome por meio de programas assistencialistas, principalmente o Bolsa Família.

É imperativo categórico ajudar gente a não passar fome, o último grau de desespero e humilhação. Fome só é bela, de uma beleza denunciadora, em versos como os de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto:

Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas, e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia.

Eliminar a fome é o primeiro passo de um país de verdade. Mas há muitos outros que precisam ser dados: desde propiciar que as pessoas tenham habitação digna até criar condições para que elas possam andar com as próprias pernas e desenvolver-se pessoal e profissionalmente, sem precisar de esmolas oficiais.

Lula, no entanto, acha que basta o assistencialismo sem porta de saída para um presidente não ser decapitado nas urnas, e os brasileiros, mantidos na indigência intelectual e política, só confirmam a certeza dele.

Como todo esquerdista, e cada vez mais esquerdista, o petista também acredita que o dinheiro público que ele distribui entre os pobres nasce em árvores socialistas, não é fruto gerado no pomar do capitalismo.

Ao ouvir Lula discursando ontem, ocorreu-me, em um fiapo de lembrança, o que Roberto Campos, o Bob Fields odiado pela esquerda, escreveu no seu livro de memórias, A Lanterna na Popa. Fui procurar o trecho, que transcrevo aqui:

Cedo me desiludi do paternalismo governamental. Em nosso assistencialismo demagógico os assistentes se dão melhor do que os assistidos. O gasto social no Brasil é um sucessão de ralos burocráticos. Assim o atestam o péssimo estado da educação pública, o desastre no sistema de saúde e as humilhações impostas à clientela da previdência social. Cada vez mais me convenço da terrível verdade do que dizia o liberal mexicano Octavio Paz: “o Estado é um pai terrível”; na melhor das hipóteses, um “ogro filantrópico”.

O livro de memórias de Roberto Campos foi publicado há mais de 30 anos. Não saímos do lugar. Precisamos descobrir que o inimigo somos nós mesmos e decapitá-lo.

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