Francamente, bolsonaristas, chega dessa historieta de fraude nas urnas
Nesse fim de semana, ironizei a convicção dos bolsonaristas segundo a qual as urnas eletrônicas brasileiras são instrumento de fraude

Como integrantes de uma seita, os bolsonaristas não admitem que se duvide das suas convicções.
Nesse fim de semana, ironizei a convicção bolsonarista segundo a qual as urnas eletrônicas brasileiras são instrumento de fraude.
Escrevi no X que, se Flávio Bolsonaro acha que há fraude nas urnas eletrônicas, o lógico seria desistir da candidatura para não legitimar o que julga ser uma farsa.
Acrescentei que, da mesma forma, todos os bolsonaristas deveriam se abster de votar em qualquer candidato a qualquer cargo, como forma de protesto.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesChoveu gente me xingando, comparando o regime brasileiro ao venezuelano.
Decidi continuar a provocação. Escrevi que, como a fraude nas eleições brasileiras era inevitável, Flávio Bolsonaro e o PL deveriam renunciar ao fundo eleitoral de R$ 887 milhões, a maior fatia desse bolo vergonhoso de recurso público destinado aos partidos.
Afinal de contas, se bem havia entendido a partir dos xingamentos, Flávio só concorria para denunciar a venezuelização do regime brasileiro. Comentei também o quão era curioso este nosso regime ditatorial, que enchia as burras dos democratas de dinheiro público.
Finalmente, perguntei se a eventual vitória de Flávio Bolsonaro significará a inexistência de fraude ou a incompetência dos fraudadores.
Dos xingamentos às ponderações aparentemente civilizadas sobre o que seria uma limitação minha para compreender a realidade, os bolsonaristas deram prova de não entender ironia — o que, na minha opinião, é mostra de séria deficiência intelectual.
A ironia, no entanto, deveria servir para fazê-los refletir sobre o quão absurda é a historieta de fraude eleitoral, baseada apenas em fantasias conspiracionistas tiradas da cabeça da família Bolsonaro e de agregados.
Assim como ocorreu com Donald Trump, pai da ideia de jerico, é um discurso que serve tão-somente para justificar a derrota nas urnas, seja a passada das favas contadas, como a futura das favas a contar. É um troço infantil.
Sou dos poucos jornalistas a apontar as interferências nefastas na democracia brasileira de gente interessada em manter o país sob as mesmas rédeas.
Mas ainda não chegamos ao grau de eficiência, se é que chegaremos, de promover uma fraude eleitoral monumental para mudar resultado de eleição presidencial, sem que a maracutaia venha à tona com provas claras e inapeláveis.
Está certo de que não existe sistema eletrônico à prova de fraude, mas é preciso provar efetivamente que ela existiu, e não, bolsonaristas, não há prova digna desse nome de que houve fraude na eleição passada ou em qualquer outra feita por meio de urnas eletrônicas. O que existe é anedotário.
Francamente, bolsonaristas, essa historieta de fraude já deu. Ela só serve para tumultuar o processo eleitoral, e com evidentes benefícios para quem torpedeia a democracia a pretexto de defendê-la.
PS: o presidente da Argentina chamou o ministro Alexandre de Moraes de “basura calva”, o que significa “lixo careca”. Soa mais ofensivo em espanhol.




