
Mario SabinoColunas

Contra Lula, a direita preferiu um asno manco a um cavalo de corrida
A direita tinha um cavalo de corrida para enfrentar Lula: Tarcísio de Freitas. Hoje, como mostra a nova pesquisa Genial/Quaest, tem um asno
atualizado
Compartilhar notícia

A direita tinha um cavalo de corrida para enfrentar Lula: Tarcísio de Freitas. Hoje, como mostra a nova pesquisa Genial/Quaest, tem um asno: Flávio Bolsonaro.
O chefão petista abriu 6 pontos de vantagem sobre o filho de Jair no segundo turno, de acordo com a Genial/Quaest. O placar das intenções de voto passou a ser 44% a 38%. Nos limites da margem de erro, o abismo pode ser de 4 ou 8 pontos percentuais – ou de 4 milhões a 8 milhões de votos.
É abismo praticamente intransponível desde agora, em especial em uma eleição polarizada, de votos cristalizados ideologicamente.
Quem dá essa vantagem a Lula? Os eleitores “independentes”, que é como os institutos gostam de chamar quem diz que não é de direita, nem de esquerda, muito pelo contrário dos ideológicos. Aquele pessoal que prefere esperar para ver como é que fica.
A esquerda costumava desprezá-los como “alienados”; a direita os insulta como “isentões”. Não importa o epíteto pejorativo, para uns e para outros, sempre foi gente valiosa no dia da eleição. Quem é o mais volúvel aqui?
Entre os “independentes”, Lula ganhou 8 pontos; Flávio recuou 7.
O que foi determinante para o chefão petista distanciar-se de Flávio? O caso Dark Horse, a nova tarifa imposta por Donald Trump (é Pix, é Pix, é PixPixPix…) — e as medidas eleitoreiras do incumbente.
A mágica do poder começa a fazer efeito. Vai quebrar o país, mas país, que país? Aquele que te comeu embaixo da raiz.
A mais popular das medidas eleitoreiras é o Desenrola, o programa com o qual Lula livra os pobres do endividamento, sem contar para eles que é para que possam se endividar outra vez.
Com Tarcísio, a direita tinha como enfrentar o chefão petista; com Flávio, nas atuais condições de temperatura e pressão, vai comer poeira. Quem mandou o Jair não querer largar o osso?
O asno está manco e pronto a ser sacrificado. Só um milagre o salvará. Isso posto e reposto, vamos organizar a bagunça: à direita, xingamentos; à esquerda, elogios ou, pelo menos, indiferença. De independente, eu vou, mas na veia. Tanto que não espero mais nada.
PS: Ah, sim, esqueçam o que escrevi sobre Ronaldo Caiado. Está velho como eu ou até mais (autoetarismo é comigo mesmo).