Chamar a carta de Flávio de "golpista" é até elogio para aquele troço
Com uma hora de intervalo, mais ou menos, Flávio foi de “presidente eleito do Brasil” a “líder do Brasil” — ou seja, do nada a coisa nenhuma

A imprensa chamou de “carta golpista” aquele troço que Flávio Bolsonaro divulgou depois de chegar a Miami. É até elogio para uma loucura que se queria com método, mas que se revelou apenas isto: maluquice, doideira, insanidade.
Com uma hora de intervalo, mais ou menos, Flávio foi de “verdadeiro presidente eleito do Brasil” a “líder do Brasil” — ou seja, do nada a coisa nenhuma. A coisa mais certa ali era o brasão da República com o nome oficial do país errado.
Era do jogo denunciar a perseguição de Alexandre de Moraes, o abuso de poder político e econômico e o uso indevido da máquina pública cometidos por Lula na campanha presidencial. Também valia citar a intervenção do ministro do STF Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, que atropelou o TSE para estender o prazo de votação a pedido do PT, o que causou a interrupção da apuração das urnas.
Flávio, no entanto, saiu da casinha ao relacionar esse fato inédito e absurdo perpetrado por Zanin a uma fraude gigantesca na contabilização dos votos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNão houve fraude alguma, vamos parar com teorias conspiratórias: Lula venceu porque conseguiu mobilizar a seu favor uma quantidade impressionante de eleitores que haviam deixado de votar no primeiro turno ou votaram branco e nulo; Flávio perdeu porque era um candidato ruim, cometeu tropeços, e porque a campanha do medo tecida contra ele, uma nojeira, colou bem colada.
A comicidade da carta atinge o seu ponto máximo quando Flávio se compara a Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. É nisso que dá não ler livros e se fiar na inteligência artificial. A leitura de livros (os certos) lhe dá a chance de adquirir senso de ridículo.
Os racionais da oposição, como Tarcísio de Freitas e Rogério Marinho, ficaram com o abacaxi de reduzir o ruído criado pelo troço. Espera-se que, com a fuga de Flávio, o missivista tóxico, eles consigam sair de mansinho do domínio da família Buscapé, se é que não é servidão voluntária.
A ver o que resulta da conversa entre Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, o sujeito reto e vertical que achou que poderia abrigar o núcleo duro bolsonarista para faturar muito mais com o fundo partidário e eleitoral, mas que acabou com o seu PL colonizado por vespas ensandecidas.

