Flávio não é exemplo de valentia, mas Moraes não é modelo de juiz imparcial
É muito fácil sentar na frente de um computador e disparar insultos contra quem, não importa se culpado, foge de um Moraes

Tem gente chamando Flávio Bolsonaro de amarelão, covarde, frouxo, arregão e pipoqueiro por ter escapado das garras de Alexandre de Moraes.
Está certo que o filho de Jair não é exemplo de valentia no enfrentamento da suspeita de lavagem de que lhe recai sobre as costas, mas não se pode ignorar que ele tem pela frente um juiz que não é modelo de imparcialidade e de aderência ao devido processo legal.
Baseado em São Paulo, talvez eu seja, bem menos do que valente, simplesmente um idiota por ainda insistir em criticar o magistrado que censurou a minha revista e que me mandou para a PF, em 2019, repetindo uma arbitrariedade já experimentada por mim, em 2008, por obra do então ministro da Justiça de Lula, esse presidente que se vende e é vendido como grande defensor da democracia.
Valente ou idiota, acho que a coisa está no sangue: o meu avô, anarquista italiano, enfrentava milicianos fascistas nas ruas de Milão, na década de 1920. Tenho propensão a me bater contra autoritarismos seja de direita, de esquerda ou muito pelo contrário. Pois é, o “socialista fabiano” aqui; pois é, o “fascista” aqui, pois é, o “isentão” aqui.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesÉ muito fácil sentar na frente de um computador e disparar insultos contra quem, não importa se culpado, foge de um juiz autoritário, que viola direitos fundamentais, como já deixaram claro as Justiças italiana e espanhola.
Eu quero ver é esses valentes do teclado se voltarem com ímpeto semelhante contra o juiz arbitrário, que teria praticado o mesmo crime de Flávio Bolsonaro, mas que lança mão da toga do STF para evitar ser investigado e que só não tem medo de agravar a desagregação institucional a que estamos assistindo.
Mais do que a poltronice do filho de Jair, esse é o ponto que interessa ao país. Fica o desafio para os corajosos.

