Bolsonaro Hipotético contra o Exército do Lula
O Bolsonaro Hipotético é a coisa mais divertida desta campanha; o meme é mais efetivo do que o Exército do Lula, censurado por Nunes Marques

Acho que os memes mais divertidos desta campanha presidencial são os dos Bolsonaro Hipotético.
Os memes viralizam um Flávio Bolsonaro perverso, montado em um tiranossauro e armado de fuzil, que persegue gays, intimida mulheres, explora trabalhadores, causa pesadelos em petistas e queima a Amazônia e a transforma em hub de lanchonetes McDonald’s, entre outras maldades hiperbólicas.
O Bolsonaro Hipotético é uma resposta inteligente e bem-humorada à campanha do medo perpetrada pelos militantes lulistas, que pintam a família do ex-presidente da República como a Hidra do Apocalipse.
A sátira ao discurso do PT é mais uma demonstração de como a direita domina a linguagem das redes sociais, ao contrário da esquerda.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesComo já disse mais de uma vez, as redes sociais são o terreno onde a direita conseguiu florescer e multiplicar-se, interditada que sempre foi nas escolas, nas universidades, nos sindicatos, na cultura e nos meios de comunicação tradicionais, todos eles sob hegemonia da esquerda, as exceções confirmando a regra.
É por esse motivo que a esquerda insiste em censurar as redes sociais a pretexto de coibir a difusão de fake news e de desinformação. Como se as escolas, as universidades, os sindicatos, o mundo cultural e os meios de comunicação não pudessem sê-lo também.
A diferença é que as fake news e a “desinformação” produzidas pelas redes podem ser imediatamente combatidas, ao contrário do que acontece nos campos hegemônicos da esquerda, nos quais as mentiras e as mistificações se sedimentam como material histórico com selo de qualidade.
Por falar em campanha do medo, fake news, censura, estamos diante do caso Exército do Lula. A pedido da campanha de Flávio, o presidente do TSE, o ministro Nunes Marques, tirou do ar o canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones, que, cada vez mais histérico, estaria difundindo fake news diretamente para mais de 4 milhões de pessoas, na contabilidade de hoje.
O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Boas Cuevas, derrubou a decisão, alegando restrição à liberdade de expressão — e, agora há pouco, Nunes Marques voltou a supender o Exército do Lula.
A nova decisão foi tomada depois de um relatório da área técnica do TSE concluir que mensagens veiculadas no canal foram apagadas ou editadas. A campanha de Flávio havia computado 499 mensagens apagadas.
O ministro determinou que o canal só poderá ter funcionamento normal depois da comunicação formal do endereço à Justiça Eleitoral, visto ser “incontroverso que atua em coordenação com a campanha presidencial” de Lula.
Vamos ver se vai ficar nisso. Seja como for, toda censura está errada. Se havia fake news no canal de Janones, que fossem apontadas e retiradas, sem a suspensão do canal inteiro, o que configura censura prévia.
Nunes Marques está servindo a Lula o mesmo veneno que Alexandre de Moraes serviu a Jair Bolsonaro em 2022. Mas dois erros nunca fizeram um acerto.
A minha impressão é que o Exército do Lula é composto por um monte de petistas falando para outro monte de petistas, que circulam as mensagens para uma maioria de já petistas. Não creio ser tão efetivo quando o Bolsonaro Hipotético, que, cuidado, pode estar atrás de você.

