A meia-verdade sobre Janones no New York Times
O jornal publicou um perfil de Janones, o "provocador digital". Mas não mencionou as rachadinhas e as ameaças que ele fez à companheira

André Janones é novo herói da esquerda internacional. Está sendo chamado para replicar o seu Exército do Lula em campanhas eleitorais de outros países. Mais um sinal de que o mundo está ficando cada vez mais parecido com o Brasil. Mais uma prova de que cada um tem o herói que merece.
O New York Times, conhecido como The Pravda on the Hudson, não poderia se furtar a publicar um perfil elogioso de Janones. Diz que ele é “o provocador digital que ajudou a impulsionar a reviravolta de Lula”.
O jornal afirma que o deputado usou “táticas do manual da extrema direita” para organizar milhões de brasileiros online. Ou seja: fez o diabo contra o oponente. Mas, aparentemente, na visão do New York Times, isso é qualidade, não defeito.
É curioso, porque desde a Revolução Francesa a esquerda vem usando de mentiras para enxovalhar os adversários, seja por meio de notícias falsas, difamação, calúnia ou simplesmente injúria. Era preciso reconhecer, portanto, que o Exército do Lula, assim como os blogs sujos petistas, integram uma antiga tradição progressista.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesQuer dizer, para ser exato, o New York Times não diz que Janones lançou mão de mentiras. Diz que ele utilizou “meias-verdades”. Comprou, assim, a lorota escusatória do deputado.
É que o negócio era evitar a ditadura bolsonarista, você há de entender. Já que não fez reparo ao argumento de Janones para o vale-tudo do “Exército do Lula”, conclui-se que o jornal acabou comprando a historieta de que Flávio Bolsonaro daria um golpe para instaurar um regime autoritário no Brasil — e, pelo visto, com o aval de 60 milhões de eleitores que votaram nele no segundo turno.
Como a meia-verdade passou a ser virtuosa, o perfil de Janones no New York Times não traz uma linha sequer sobre as rachadinhas que o deputado perpetrava no seu gabinete. Também não há nada sobre a ex-companheira de Janones ter obtido na Justiça uma medida restritiva contra ele, alegando ameaças e chantagem com a difusão de fotos íntimas.
É porque só existem salafrários na direita, como sabe qualquer jornalista que é defensor intransigente da democracia.

