Manoela Alcântara

Uber reage a acusações, notifica e cobra explicações de Boulos

Empresa reage a falas sobre regulação e questiona declarações do ministro do governo Lula

atualizado

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Guilherme Boulos é ministro do governo Lula
1 de 1 Guilherme Boulos é ministro do governo Lula - Foto: MICHAEL MELO/METRÓPOLES @michaelmelo

A Uber enviou uma notificação extrajudicial, nesta quinta-feira (26/3), ao ministro Guilherme Boulos, após declarações públicas do ex-parlamentar sobre a atuação de plataformas digitais no debate em torno da regulação do trabalho por aplicativos.

A empresa afirma ter sido alvo de acusações feitas por Boulos em publicações nas redes sociais, nas quais ele sugere que políticos e influenciadores estariam “a serviço” da Uber e do iFood, supostamente recebendo vantagens em troca.

No documento encaminhado ao ministro, a companhia cobra a apresentação de provas que sustentem as afirmações. “A expressão de críticas ou opiniões antagônicas faz parte do dissenso inerente à liberdade de expressão, pilar fundamental do debate democrático. Isso, porém, não se confunde com liberdade para proferir acusações de práticas potencialmente criminosas sem comprovação”, diz a Uber.

A notificação extrajudicial foi motivada por dois vídeos publicados por Boulos, nos quais ele afirma que “nada me tira da cabeça que tem algum negócio aí” e que “eu acho que pinga a letra, quem tá ouvindo entendeu”.

“Quer que eu diga uma coisa para você? Podem até querer me processar por isso, mas eu vou dizer mesmo assim. Ninguém me tira da cabeça que quem tá espalhando essas mentiras na rede tá a serviço das grandes plataformas. Tá a serviço, não sei se recebendo dinheiro ou o que em troca. Mas os políticos e os influenciadores que estão distribuindo isso, eles estão a serviço da Uber, do iFood, das grandes plataformas. Porque só a elas interessa manter a balança desequilibrada do jeito que tá”, disse Boulos em 17 de março.

O episódio ocorre em meio ao debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos, cuja votação está prevista para ocorrer até abril na Câmara.

A proposta encaminhada pelo governo federal prevê pagamento de R$ 10 por serviço de até 4 quilômetros, com acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro adicional, além de medidas voltadas à transparência dos algoritmos e ao acesso dos trabalhadores à Previdência Social.

Em nota, Boulos afirmou que a Uber, que é dos Estados Unidos, “não vai intimidar o governo do Brasil com ameaças judiciais vazias”.

“Não sabemos se é pago, mas não há dúvida de que influenciadores e políticos estão fazendo o jogo das plataformas. Reproduzem de forma acrítica seus argumentos atacando as demandas dos motoristas e entregadores”, disse.

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