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Manoela Alcântara

Servidor orientava Vorcaro sobre como "lidar" com fiscalização do BC

PF afirma que chefe-adjunto de supervisão bancária orientava dono do Banco Master sobre como responder a questionamentos do próprio BC

04/03/2026 09:32, atualizado 04/03/2026 11:49
Reprodução/Redes sociais
Daniel Vorcaro - Metrópoles

Um servidor do Banco Central (BC), alvo da Polícia Federal (PF) na operação desta quarta-feira (4/3), orientava o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre como “lidar” com a supervisão da própria autoridade monetária.

Paulo Sérgio Neves de Souza era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Segundo a PF, em relatório enviado ao ministro André Mendonça, o servidor repassava orientações ao empresário sobre como conduzir interações com a cúpula do BC.

De acordo com os investigadores, Paulo Sérgio mantinha interlocução direta e frequente com Vorcaro e fornecia aconselhamento informal sobre processos administrativos que envolviam o Banco Master dentro da autarquia.

O servidor, segundo a PF, sugeria argumentos e estratégias a serem adotados pelo banqueiro em reuniões com o BC, antecipando possíveis questionamentos da área de supervisão.

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A investigação também aponta que Paulo Sérgio chegou a revisar minutas de documentos e ofícios preparados pelo Master antes de serem enviados ao próprio Banco Central, instituição na qual trabalha. Ele foi afastado das funções por determinação de Mendonça.

Os investigadores afirmam que o servidor atuava como uma espécie de interlocutor interno dos interesses do banco e chegou a informar Vorcaro sobre movimentações detectadas pelos sistemas do BC — o que teria permitido ao empresário adotar medidas para reduzir questionamentos da supervisão.

Prisão

Vorcaro foi preso pela PF em São Paulo, conforme mostrou a coluna. Além dele, o cunhado, Fabiano Campos Zettel, também é um dos alvos, apesar de não ter sido localizado pelos investigadores.

A terceira fase da Operação Compliance Zero tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

Foram determinadas, ainda, ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.