
Manoela AlcântaraColunas

Saiba quem é o jornalista que Vorcaro queria agredir em assalto
Em conversa com investigado pela PF, Vorcaro afirmou que queria agredir jornalista que contrariava interesses do banqueiro
atualizado
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Preso nesta quarta-feira (4/3) em mais uma fase da operação da Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, planejou junto com Luiz Philipi Mourão o assalto de um jornalista que publicou matérias contrárias aos interesses do grupo. Em diálogo identificado em relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro aparece conversando com Mourão e diz: “Esse …. quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, diz Vorcaro.
Luiz Phillipi, segundo a PF, exercia papel central na coordenação operacional de um grupo informal denominado “A Turma”, estrutura usada para realizar atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo.
De acordo com mensagens analisadas pelos investigadores, o empresário ordenava a integrantes de seu núcleo que monitorassem jornalistas e adversários. Em uma das conversas, ele chega a sugerir uma agressão contra um crítico, o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Veja:

Segundo a PF, a dinâmica violenta revelada pelas conversas revelavam que Vorcaro era o responsável por emitir as ordens, e Mourão pretava o serviço. Segundo documento, a prática violenta atingia jornalistas que publicassem matérias contra Vorcaro.
Prisão
A prisão de Vorcaro, nesta quarta-feira (4/3), foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O cunhado dele, o empresário Fabiano Campos Zettel, também foi alvo da PF.
A terceira fase da Operação Compliance Zero tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Foram determinadas, ainda, ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
As ordens de afastamento têm como alvo dois servidores do Banco Central (BC). São eles: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana. Ambos estavam afastados das funções pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo. As investigações contaram com o apoio do BC.
Vorcaro é alvo da Operação Compliance Zero, na qual a PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
A detenção pela corporação ocorreu na casa de Vorcaro, em São Paulo. Havia um mandado de prisão preventiva contra o dono do Banco Master. Ele foi para a Superintendência da PF, na capital paulista.
Esta não é a primeira prisão de Vorcaro. Ele havia sido preso pela PF na noite de 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Foi solto 10 dias depois, e deixou a cadeia usando tornozeleira eletrônica.
A defesa de Vorcaro informou ao Metrópoles que não se manifestará no momento.
CPI do Crime Organizado
A Polícia Federal prendeu Vorcaro no mesmo dia em que estava previsto o depoimento dele na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado. A oitiva ocorreria nesta manhã.
Com a decisão de Mendonça, a presença dele no colegiado havia se tornado facultativa.
Ainda era a esperada a oitiva de Fabiano Zettel nesta quarta.
Na decisão, Mendonça ressaltou a importância da CPI, mas afirmou que “revela-se inafastável a garantia constitucional de qualquer investigado contra a autoincriminação”. O banqueiro é investigado em inquérito sobre as fraudes no banco.








