Manoela Alcântara

“Pressão excessiva”: 12 servidores entregam cargos comissionados na CLDF

O grupo alega assédio continuado antes e após um caso de espionagem vir à tona em reportagem do Metrópoles. CLDF apura pedidos

atualizado

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Breno Esaki/Metrópoles
Fachada da CLDF durante a última sessão ordinária do ano antes do recesso parlamentar CLDF 4
1 de 1 Fachada da CLDF durante a última sessão ordinária do ano antes do recesso parlamentar CLDF 4 - Foto: Breno Esaki/Metrópoles

Doze servidores, entre gestores, técnicos, analistas e consultores, entregaram os cargos comissionados na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O grupo alega assédio continuado antes e após um caso de espionagem vir à tona, em reportagem da Coluna Grande Angular.

Em documento encaminhado à Diretoria de Gestão de Pessoas na noite desta quinta-feira (14/5), os servidores apontaram pressão excessiva, instabilidade institucional, deterioração do clima organizacional e desconfiança institucional.

No pedido, não há nomes de quem comteu o assédio, mas o presidente da CLDF, deputado distrital Wellington Luiz, vai apurar as circunstâncias. Segundo afirmam os servidores, mesmo após a determinação do chefe da Casa Legislativa em instaurar um processo administrativo disciplinar para averiguar a ocorrência de ilícitos e de espionagem, o quadro de assédio que já ocorria, segundo apurou a coluna, aumentou.

No início da semana, o quarto-secretário da CLDF, Robério Negreiros, pediu o afastamento, por 60 dias, do diretor de Modernização e Inovação Digital, Walerio Oliveira Campôres, por denúncias de arapongagem, de assédio e ainda por problemas com os servidores na discordância em contratos.

No entanto, mesmo após o afastamento, os servidores consideraram que o clima não melhorou. Pelo contrário, ficou insustentável e não foi possível manter os cargos por riscos à saúde mental.

Ao todo, 11 gestores e seus substitutos pediram para deixar os cargos comissionados em razão do atual cenário institucional vivido. Eles são das seguntes áreas:

  • Diretoria de Modernização e Inovação Digital – DMI;
  • Setor de Infraestrutura de Tecnologia da Informação – Seinf;
  • Setor de Administração de Sistemas – Seasi;
  • Setor de Inovação e Inteligência de Dados – Seinova;
  • Setor de Atendimento e Cultura Digital – Seati;
  • Setor de Gestão de Contratações e Contratos de Tecnologia da Informação – Segeti.

A coluna conversou com o presidente da CLDF, Wellington Luiz. Ele afirmou ter ficado surpreso com as entregas dos cargos mesmo após o afastamento de Walerio e da abertura de investigação sobre o caso. Mas ressaltou que todos na lista são “excelentes funcionários” e que vai iniciar uma apuração sobre o motivo pelo qual eles fizeram esse pedido.

“Isso gera mais uma apuração, são servidores competentes, vamos ouví-los. Vamos ouvir todos. Estive com eles e são extremamente dedicados, quero saber o que aconteceu para gerar esse pedido”, ressaltou o presidente da Casa Legislativa.

A coluna também entrou em contato com o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo e do Tribunal de Contas do Distrito Federal (Sindical), Mikhail Gorbachev, que afirmou acompanhar “com extrema preocupação os fatos relatados pelos servidores da Diretoria de Modernização e Inovação Digital da CLDF”. 

Solidariedade

“Recebemos o documento subscrito pelos servidores e manifestamos nossa integral solidariedade aos profissionais que decidiram entregar cargos comissionados e àqueles que tornaram públicas suas preocupações em relação ao ambiente organizacional da unidade. Trata-se de um grupo de servidores altamente qualificados, com reconhecida capacidade técnica e histórico de relevantes serviços prestados à Câmara Legislativa. As manifestações apresentadas merecem tratamento sério, responsável e célere por parte da administração”, afirmou o presidente do Sindical.

A entidade informou ainda que colhe formalmente os relatos e denúncias apresentados e afirmou que “atuará de forma protagonista para que todos os fatos sejam devidamente apurados, com transparência, imparcialidade e respeito ao devido processo legal“.

Mikhail Gorbachev disse ainda que a entidade defenderá que as informações sejam encaminhadas aos órgãos competentes de controle e fiscalização, e até mesmo policial para que eventuais irregularidades sejam investigadas com profundidade.

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