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Manoela Alcântara

PF investiga senador Weverton por obstrução em sindicância contra grupo de Brandão

Dados do celular do senador mostram mensagens, áudios e ligações que apontam para possível interferência em sindicância no STJ

14/08/2026 13:13, atualizado 14/08/2026 13:15
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Senador Weverton Rocha PDT-MA na portaria do Ministério das Comunicações - Metrópoles

A Polícia Federal (PF) investiga se o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula, atuou para tentar impedir o avanço de uma sindicância contra o grupo político do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB).

Dados extraídos do celular do parlamentar, apreendido em uma das fases da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), revelaram uma série de ligações, mensagens e áudios trocados entre Weverton e um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

As comunicações identificadas no aparelho ocorreram entre janeiro de 2023 e outubro de 2025. Os contatos de Weverton foram com o ministro Humberto Martins, que não é investigado no caso.

Segundo a PF, os dados revelam uma relação de proximidade entre o parlamentar e o magistrado. Os investigadores suspeitam que Weverton tenha atuado para interferir no andamento de uma sindicância em tramitação no STJ.

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As informações constam em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a abertura de inquérito sobre o caso, em 14 de julho. A apuração teve o sigilo levantado nesta sexta-feira (14/8).

Corrupção, peculato e desvios

A sindicância investiga supostos atos de corrupção, peculato e desvios de recursos públicos envolvendo a cúpula política e empresarial do Maranhão vinculada à chamada “família Brandão”.

Os investigadores afirmam que o senador teria atuado junto ao ministro do STJ com o propósito de “obstar o regular prosseguimento da apuração”, especialmente após o homicídio do empresário João Bosco, em 2022.

Em um dos episódios destacados pela PF, Weverton e Humberto Martins mantiveram uma ligação em 2 de julho do ano passado. No mesmo dia, por determinação do ministro, foi efetivada a transferência de Gilbson Júnior, responsável pela morte de Bosco, do Maranhão para a Penitenciária Federal de Brasília.

Conforme mostrou a coluna, a PF constatou que o delegado aposentado Raimundo Cutrim, ex-secretário do Maranhão e alvo de uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes nesta semana, teria atuado para obstruir as investigações.

Segundo os investigadores, Cutrim repassou R$ 160 mil a familiares de Gilbson para evitar que fossem revelados os possíveis mandantes do assassinato de Bosco.

A PF suspeita do envolvimento de Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e sobrinho do governador Carlos Brandão, no caso.

Segundo a PF, o conselheiro estaria presente na reunião que resultou no assassinato de Bosco, mas seu nome teria sido omitido das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Maranhão, que concluiu o inquérito tratando o episódio como uma briga privada.

Isso porque, segundo a PF, Daniel teria deixado o local momentos antes dos disparos contra o empresário. O encontro teria sido realizado para tratar de conflitos internos relacionados à divisão de propinas oriundas de contratos públicos.