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Manoela Alcântara

PF: consultoria do Iprev de Maceió atuou para favorecer Banco Master

Segundo a PF, empresa influenciou análises e a escolha de ativos de alto risco para viabilizar aportes de R$ 97 milhões

10/08/2026 14:15, atualizado 10/08/2026 17:30
Allan Cesar/Secom Iprev Maceió
Sede da Iprev de Maceió

A Polícia Federal (PF) sustenta que a consultoria contratada pelo Iprev de Maceió para auxiliar na aplicação de recursos no Banco Master atuou de forma articulada para favorecer a instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Investigadores cumpriram, na manhã desta segunda-feira (10/8), oito mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme mostrou a coluna do Metrópoles Grande Angular.

A investigação foca no investimento de R$ 97 milhões no Master. Os recursos, destinados ao pagamento de aposentados e pensionistas de Maceió, foram aplicados em Letras Financeiras do banco.

Segundo a PF, a Crédito e Mercado foi contratada pela previdência de Maceió para prestar suporte na aplicação dos recursos.

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Os investigadores suspeitam que a empresa tenha atuado de forma articulada para favorecer o Master, influenciando diretamente a elaboração das análises e a escolha de ativos considerados de alto risco.

A investigação aponta que a consultoria teve papel fundamental na elaboração dos documentos que embasaram os investimentos. A PF reuniu elementos que indicam que o procedimento para aceitar o Master teria sido “genérico” e baseado em materiais fornecidos pela própria instituição de Vorcaro, em vez de estudos independentes.

A consultoria também teria elaborado planilhas comparando o Master com instituições que apresentavam perfis de risco diferentes. Segundo os investigadores, o procedimento teria criado uma “aparência documental de competitividade”, fazendo o banco parecer a melhor opção sem que houvesse uma comparação efetiva entre ativos equivalentes.

Um dos principais articuladores para o avanço dos investimentos, segundo a PF, seria Renan Foglia Calamia, que atuava como interlocutor técnico e é suspeito de omitir alertas de segurança para favorecer os aportes de R$ 97 milhões. Ele foi alvo da operação.

A Crédito e Mercado tem entre seus sócios o advogado Cecílio Galvão, que também é investigado por ter recebido R$ 4 milhões de entidades envolvidas na Farra do INSS, escândalo de descontos indevidos de aposentados revelado pelo Metrópoles. Galvão não foi alvo da operação desta segunda-feira.

Em nota, a consultoria Crédito e Mercado afirmou que nunca foi consultada sobre os investimentos no Master, não emitiu parecer técnico nem realizou o credenciamento da instituição e negou qualquer participação no caso.

“A única participação de Renan Calamia mencionada nesse contexto foi o que ocorreu em uma reunião remota, exclusivamente para apresentação de cenário econômico, da qual se retirou antes da continuidade das discussões e deliberações, fato que não ficou claro na respectiva ata. Usar essa participação pontual para atribuir à Crédito & Mercado a condução administrativa ou operacional dos investimentos é uma afirmação falsa e não corresponde aos fatos”, diz a nota (leia a íntegra abaixo).

Já em manifestação, o Iprev de Maceió afirmou que está colaborando com as investigações e reforçou que todos os atos relacionados aos aportes no Master observaram os ritos legais e administrativos.

“O Instituto reforça que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis e destaca que seu patrimônio cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que assegura o pagamento de aposentados e pensionistas”, afirmou o órgão (leia a nota na íntegra abaixo).

Os alvos da operação

  • Ronnie Reyner Teixeira Mota: ex-diretor-presidente da Iprev de Maceió. É investigado por assinar as autorizações dos aportes sob suspeita e por indícios de enriquecimento ilícito, como a compra de imóveis e veículos com dinheiro em espécie.
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza: ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev no período dos fatos. Segundo a PF, atuava no núcleo técnico responsável por instruir os processos e validar as análises de risco antes de enviá-las para a presidência.
  • Renan Foglia Calamia: dirigente e principal interlocutor técnico da consultoria Crédito & Mercado. É suspeito de articular pareceres para favorecer o Banco Master.
  • Marília Alexandre de Lima Alves: integrante do núcleo de governança do Iprev e vinculada à Secretaria Municipal da Fazenda. Segundo a PF, era signatária de deliberações relacionadas às operações investigadas.
  • Marcelo Brasileiro Santos: participante do Comitê de Investimentos do Iprev, atuando em órgãos de fiscalização e representação dos segurados.
  • João Felipe Alves Borges: membro do Conselho de Administração do Iprev e atual secretário municipal de Fazenda de Maceió.

Aportes

Os aportes foram realizados entre 2023 e 2024, durante a gestão do então prefeito JHC, hoje candidato ao governo de Alagoas pelo PSDB.

Segundo a PF, a  investigação apura duas aplicações e busca “esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos”.

A operação também busca entender se houve “possível prática de gestão fraudulenta, sem prejuízo da apuração de outros delitos conexos”.

Nota Crédito e Mercado

A Crédito & Mercado refuta categoricamente a tentativa de atribuir à empresa atos que foram praticados totalmente pelo IPREV Maceió e sobre os quais a consultoria não teve qualquer poder de decisão ou execução. A empresa nunca foi consultada sobre os investimentos no Banco Master, não analisou ou recomendou as operações, não emitiu parecer técnico, não conduziu o credenciamento, não foi responsável pela formalização documental e, em nenhuma hipótese, ordenou, movimentou ou transferiu recursos do instituto.

A única participação de Renan Calamia mencionada nesse contexto foi o que ocorreu em uma reunião remota, exclusivamente para apresentação de cenário econômico, da qual se retirou antes da continuidade das discussões e deliberações, fato que não ficou claro na respectiva ata. Usar essa participação pontual para atribuir à Crédito & Mercado a condução administrativa ou operacional dos investimentos é uma afirmação falsa e não corresponde aos fatos.

A empresa está colaborando integralmente com as autoridades e é um agente colaborativo na investigação e apresentará toda a documentação necessária para comprovar, de forma inequívoca, que não participou dessas operações. As decisões administrativas, a aprovação e a efetiva movimentação dos recursos são atos do IPREV e devem ser esclarecidos pelos gestores e agentes responsáveis por sua realização.

Nota Iprev de Maceió

O Maceió Previdência informa que vem colaborando, desde o início, com as investigações, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações solicitadas pelas autoridades competentes.

O Instituto reforça que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis e destaca que seu patrimônio cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que assegura o pagamento de aposentados e pensionistas.