Manoela Alcântara

PF aponta violência política de pré-candidato ao TCU contra prefeita

Deputado disse que ex-prefeita no Ceará já rodou “a bolsinha com vários deputados federais”. Procurado, parlamentar não se manifestou

atualizado

metropoles.com

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Agência Câmara
Deputado federal Danilo Forte fala ao microfone no plenário da Câmara dos Deputados. Ele é branco, tem cabelo liso e grisalho e usa terno azul - Metrópoles
1 de 1 Deputado federal Danilo Forte fala ao microfone no plenário da Câmara dos Deputados. Ele é branco, tem cabelo liso e grisalho e usa terno azul - Metrópoles - Foto: Agência Câmara

Uma investigação da Polícia Federal (PF) indica que o deputado federal Danilo Forte (sem partido) pode ter cometido violência política durante a campanha municipal de 2024. O parlamentar é um dos pré-candidatos a uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU).

Em documento ao qual a coluna teve acesso, a PF concluiu, em janeiro deste ano, que há indícios de violência política de gênero contra a então prefeita de Itapajé (CE), Dra. Gorete (PSB). O pleito acabou sendo vencido pelo atual prefeito, Nonatinho (Republicanos), aliado de Forte.

Segundo os investigadores, o episódio ocorreu em 3 de agosto de 2024, durante uma convenção partidária no município. Em discurso público, o parlamentar — cotado para uma das cadeiras no TCU — teria dirigido ofensas à então prefeita e candidata à reeleição.

Conforme constatou a coluna, Forte disse que a prefeita é a “maior traíra” que ele já conheceu, além de afirmar que ela já rodou “a bolsinha com vários deputados federais em Itapajé”.

As declarações, registradas em vídeo e amplamente difundidas em redes sociais e veículos de imprensa, foram consideradas pela PF ofensivas e discriminatórias, com potencial para configurar crime eleitoral.

O inquérito aponta que a materialidade do fato foi comprovada por perícia técnica realizada sobre o material audiovisual. O laudo confirmou a autenticidade do vídeo, identificou os interlocutores e concluiu que não houve indícios de adulteração do conteúdo. Também foram colhidos depoimentos da prefeita e de outras pessoas que acompanharam o episódio.

Interrogatório

Ao longo das investigações, iniciadas após uma notícia de fato eleitoral, a PF interrogou o parlamentar, que optou por exercer o direito ao silêncio, limitando-se a apresentar sua defesa no processo. A investigação também registrou que não houve retratação pública sobre as declarações.

Inicialmente remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do foro do parlamentar, o caso acabou enviado à Justiça Eleitoral do Ceará após decisão que entendeu não haver relação direta entre o episódio investigado e o exercício do mandato.

Com o relatório final, caberá agora ao Ministério Público Eleitoral decidir os próximos passos no processo.

Procurado pela coluna, o parlamentar não se manifestou até o fechamento desta edição.

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