O que é o "cristofascismo bolsonarista" usado em pesquisa da Ufes
Expressão é utilizada por parte da academia para analisar a relação entre religião e o movimento político ligado ao ex-presidente Bolsonaro

A expressão “cristofascismo bolsonarista”, utilizada em um projeto que será desenvolvido por um professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), é empregada por parte da academia para analisar a relação entre determinados segmentos do cristianismo e o movimento político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Conforme a coluna revelou, o professor da Ufes Vitor Cei irá a Lisboa, em Portugal, para desenvolver um projeto que analisa os primeiros romances de Machado de Assis à luz do “cristofascismo bolsonarista”.
O termo “cristofascismo” não é um conceito jurídico nem uma classificação oficial. A expressão também não integra os principais dicionários da língua portuguesa e circula principalmente em estudos acadêmicos sobre religião e política.
Nesses estudos, o conceito é utilizado para descrever a associação entre determinadas correntes do cristianismo e projetos políticos de caráter autoritário, por meio do uso de símbolos, discursos e referências religiosas para legitimar ações e agendas políticas.
A expressão foi cunhada pela teóloga alemã Dorothee Sölle, na década de 1970, para analisar a relação entre igrejas cristãs e o regime nazista na Alemanha.
Décadas depois, pesquisadores brasileiros passaram a adaptar o conceito ao contexto nacional. Entre eles está o teólogo Fábio Py, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), autor de estudos que utilizam a expressão “cristofascismo brasileiro” para analisar aspectos do movimento político ligado ao ex-presidente e da relação entre religião e política no país.
Pesquisa
O professor foi autorizado pelo reitor da Ufes, Eustáquio Vinicius Ribeiro de Castro, a desenvolver um projeto de pesquisa em Portugal.
O estudo analisa os primeiros romances de Machado de Assis à luz do “cristofascismo bolsonarista”, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Segundo o documento, a pesquisa tem o título “‘O trabalho surdo da destruição’: pessimismo cristão e niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do cristofascismo bolsonarista”.
O afastamento foi concedido na modalidade de licença para capacitação e terá duração de 90 dias, entre 1º de setembro e 29 de novembro deste ano.
Durante o período, o docente desenvolverá as atividades no Instituto de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, em Portugal.
A licença foi concedida com ônus limitado para a Ufes. Nessa modalidade, o servidor mantém a remuneração do cargo, mas a universidade não arcará com diárias nem passagens.



