Manoela Alcântara

“Na bala”: Dino proíbe deputado de se aproximar de vítima após ameaça. Veja vídeo

Ministro impõe distância mínima de 50 metros e proíbe contato de deputado do PL com vítima após episódio na Câmara

atualizado

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Câmara dos Deputados/Divulgação
Coronel Meira (PL-PE) é alvo de medidas cautelares por determinação de Flávio Dino
1 de 1 Coronel Meira (PL-PE) é alvo de medidas cautelares por determinação de Flávio Dino - Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta quarta-feira (1º/4), que o deputado federal Coronel Meira (PL-PE) mantenha distância mínima de 50 metros e não tenha qualquer contato com um homem, após o parlamentar afirmar que resolve os problemas “no braço” e “na bala”.

O caso ocorreu em 7 de outubro, na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, que discutia, em audiência pública, o significado das tatuagens no mundo do crime.

Segundo a vítima, identificada como coronel Elias Miler, representante de uma associação nacional de militares estaduais, o deputado se dirigiu a ele e a outro colega, quando teria cumprimentado o colega, mas não ele, dizendo: “você eu cumprimento, mas esse filho da puta eu não cumprimento”.

Dentro da comissão, o parlamentar afirmou que, no fim de semana anterior, viu uma postagem atribuída à vítima com supostas críticas a ele. Coronel Meira declarou que resolve os problemas “no braço” e “na bala”.

 

“Tá aqui, traidor da tropa e cita meu nome textualmente. Então simplesmente eu cheguei aqui e disse que quem fez isso aqui é um filho da puta, e aí o coronel veio para cima de mim questionando se eu estava falando com ele. Se a carapuça caiu na cabeça dele é problema dele. Agora meus problemas eu resolvo, tá certo, Miler? Aqui dentro no braço, lá fora na bala. Eu não vou ficar desonrado”, disse o parlamentar.

Antes desse episódio, a vítima relatou que o parlamentar também atingiu a honra dele ao fazer referência à mãe, já falecida. Ao indagar o porquê das ofensas, o deputado teria respondido que “se a carapuça coubesse, era ao querelante que ele se referia”.

Segundo Dino, diante da gravidade do episódio e da possibilidade de o parlamentar portar arma de fogo, foi deferida medida cautelar para que o deputado se abstenha de manter qualquer tipo de contato com a vítima, direto ou indireto, e não se aproxime a menos de 50 metros — a proibição também vale para mensagens via celular, e-mail ou outros meios.

“Expeça-se um único mandado com dúplice finalidade: intimação do querelado para que tome ciência e cumpra a cautelar deferida nesta decisão; sua notificação […] para, querendo, oferecer resposta no prazo de 15 (quinze) dias.”

Em nota enviada à coluna, o deputado afirmou que o episódio ocorreu dentro do Parlamento, onde circula diariamente. Disse ainda que foi eleito para o cargo e tem o direito e o dever de se manifestar com clareza em defesa de suas ideias e de seu mandato.

O parlamentar acrescentou que solicitou ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a revisão do credenciamento do militar envolvido na confusão, argumentando que a medida cautelar pode prejudicar sua atuação na Casa.

“A decisão que impõe distância mínima de 50 metros, junto com o credenciamento atual do coronel Elias Miler, acaba criando uma barreira prática dentro da própria Casa. Na hora de circular, de trabalhar e de cumprir meu mandato, isso vira um obstáculo real. E quem perde com isso é o cidadão que me elegeu”, disse (leia a nota completa abaixo).

Nota

Sobre a matéria publicada pelo Metrópoles nesta quarta-feira, dia 1º de abril de 2026, venho falar com clareza e tranquilidade para o cidadão brasileiro.

Tudo aconteceu dentro da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, durante uma audiência pública, no dia 7 de outubro de 2025. Foi no exercício normal do meu mandato parlamentar.

Fui eleito pelo voto direto do povo de Pernambuco. Meu mandato vem do povo, e o lugar onde eu tenho de exercer esse mandato é aqui, dentro da Câmara. É neste espaço que circulo o dia inteiro, participo de reuniões, comissões e articulações para defender os interesses de quem me elegeu.

O debate firme e direto faz parte da vida parlamentar. É assim que funciona a democracia: o deputado eleito tem o direito e o dever de falar com clareza em defesa das suas ideias e do mandato que o povo lhe confiou. O Parlamento é o espaço legítimo para esse exercício.

A decisão que impõe distância mínima de 50 metros, junto com o credenciamento atual do coronel Elias Miler, acaba criando uma barreira prática dentro da própria Casa. Na hora de circular, de trabalhar e de cumprir meu mandato, isso vira um obstáculo real. E quem perde com isso é o cidadão que me elegeu.

Por isso, já enviei ofício ao Presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, pedindo a revisão do credenciamento do coronel Miler sem prejuízo à entidade. A associação poderá indicar outro representante, garantindo que seus trabalhos continuem normalmente na Casa parlamentar. O problema é só com a presença específica do coronel Miler, que está gerando essa restrição injusta.

O que está em jogo aqui não é uma briga pessoal. É o direito de um deputado eleito cumprir seu dever com o povo. Não vou aceitar que uma limitação externa atrapalhe o trabalho que o eleitor me confiou.

Continuo firme no compromisso que assumi: defender a segurança pública e trabalhar todos os dias pelo povo de Pernambuco, com a independência que o mandato popular exige.

Coronel Meira
Deputado Federal (PL-PE)

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