MPE cita dois celulares na cabine e acusa Zema de violar sigilo do voto
Zema foi filmado manuseando celular enquanto votava. Crime apontado pelo MP Eleitoral prevê até dois anos de detenção
04/10/2026 18:27, atualizado 04/10/2026 18:52

O Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou, neste domingo (4/10), o candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) por violação ou tentativa de violação do sigilo do voto.
A acusação foi apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) após Zema entrar com um celular na cabine de votação, em Araxá (MG).
Zema foi filmado com o telefone nas mãos e olhando para a tela do aparelho enquanto votava. A denúncia aponta ainda a presença de um segundo celular sobre a mesa da cabine.
O Ministério Público quer que Zema responda criminalmente pelo episódio e seja condenado por violar o sigilo do voto. O crime prevê pena de até dois anos de detenção.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela Alcântara“A equipe de mesários da seção eleitoral, em desacordo com as instruções oficiais expedidas pela Justiça Eleitoral, omitiu-se no dever de reter o dispositivo telefônico antes do ingresso do denunciado na cabina reservada, permitindo a concretização do ilícito penal sob o olhar das câmeras de imprensa presentes no local”, escreveu o procurador Tarcísio Henriques na denúncia.
Na denúncia, o procurador afirma que a proibição de celulares na cabine busca preservar o sigilo do voto e vale mesmo quando o aparelho está desligado. Para o MPE, as imagens e a declaração dada pelo próprio Zema após votar são suficientes para levar o caso à esfera criminal.
Após deixar a seção eleitoral, Zema afirmou que costuma permanecer com o aparelho durante todo o dia.
“Eu ando com o celular o dia todo, né? Ele é quase que como se fosse um dedo. E ninguém me lembrou ali e eu fui votar normalmente”, afirmou Zema após ser questionado sobre o episódio.
“Não afetou em nada o meu voto”
O candidato disse que não utilizou o aparelho enquanto votava e negou que estivesse com uma “colinha” eleitoral no celular.
“Não afetou em nada o meu voto, a minha forma de votar. Não fotografei nada, não fiz nada com o celular ali. Fui só votar mesmo”, declarou.
Questionado se havia levado a lista com seus candidatos no aparelho, Zema respondeu que estava com uma versão em papel. “Levei no papel. Então, se tivesse me alertado, entregava na hora”.
Zema também minimizou o episódio e afirmou que existem questões mais importantes a serem acompanhadas. “Da minha parte, foi até filmado, dá para ver lá que eu não fiz nada com o celular”, disse.
O candidato entrou com o aparelho na mão na cabine de votação da Escola Estadual Delfim Moreira, em Araxá, onde votou por volta das 9h.




