
Manoela AlcântaraColunas

Master: alvo da PF representava empresa de universidade dos EUA no Brasil
Advogado investigado representava companhia estrangeira sócia da empresa. Universidade não é investigada no caso Master
atualizado
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Um dos alvos da operação que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro representava no Brasil uma empresa ligada à Universidade de Oklahoma, dos Estados Unidos.
Registros societários indicam que o advogado Leonardo Augusto Furtado Palhares, alvo da Polícia Federal (PF) e sob uso de tornozeleira por decisão de André Mendonça, aparece como representante no país da Pellego Procul Dua LLC, companhia em Loman, cidade nos Estados Unidos.
A empresa estrangeira figurava como sócia da The University of Oklahoma Instituto Educacional Ltda., registrada no Leblon, bairro do Rio de Janeiro. O CNPJ da empresa foi baixado em 2019 após encerramento por liquidação voluntária.
A empresa brasileira usava o nome da universidade americana e integrava uma estrutura societária formada por companhias registradas no exterior. A universidade, sediada no estado de Oklahoma, mantinha iniciativas acadêmicas e programas de cooperação relacionados ao Brasil.
Palhares é citado na investigação da PF envolvendo um suposto esquema chefiado por Vorcaro. O advogado aparece no relatório entregue ao STF por ter assinado uma proposta de prestação de serviços destinada à contratação do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central, Belline Santana.
O contrato, segundo a PF, era para um suposto projeto de elaboração de estudo técnico sobre a inserção de jovens no mercado financeiro.
Os investigadores acreditam que esse documento foi usado para maquiar um vínculo entre Vorcaro e o servidor do BC para justificar transferências financeiras.
Apesar de Palhares ter atuado como representante no Brasil de uma empresa estrangeira ligada à universidade, ela não é investigada no caso Master.
Operação
Palhares aparece como sócio da Super Empreendimentos e Participações S.A., que tem entre os sócios o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.
O advogado também figura como sócio da Sociedade Organizada Spread Of Love And Respect (Solar). Segundo o site oficial, a entidade atua no fornecimento de educação para comunidades vulneráveis na África. A fundação surgiu a partir de uma iniciativa da filha de Daniel Vorcaro.
O dono do Master está preso preventivamente por decisão do ministro André Mendonça. A nova detenção do banqueiro ocorreu após a PF informar ter encontrado, no celular dele, mensagens que indicariam a atuação de uma espécie de “milícia privada”.
De acordo com mensagens analisadas pelos investigadores, o empresário ordenava a integrantes de seu núcleo que monitorassem jornalistas e adversários. Em uma das conversas, ele chega a sugerir agressão contra um crítico.
Segundo a PF, Vorcaro utilizava colaboradores para levantar dados pessoais, acompanhar adversários e intimidar pessoas que contrariavam seus interesses. As informações constam em material extraído em operações anteriores.
Em uma das mensagens, Vorcaro conversa com Luiz Phillipi Machado de Moraes, apontado pela PF como responsável por levantar essas informações.
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro, em referência ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Além de Luiz Phillipi, a PF também prendeu Marilson Roseno da Silva e o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.
