Lula acusa Flávio de usar 5 processos para tentar derrubar canal de Janones
Defesa petista pede que Mendonça rejeite petições de Flávio e retire o “Exército do Lula” do registro da candidatura à Presidência

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou, na tarde desta sexta-feira (23/10), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) de insistir na tentativa de retirar do ar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
Em documento entregue ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os advogados de Lula afirmam que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recorreu a cinco procedimentos diferentes para tentar suspender o canal ou criar condições para retirada do ar.
Segundo a campanha petista, a nova iniciativa de Flávio ocorreu no processo de registro da candidatura de Lula, menos de três horas depois de o ministro Floriano de Azevedo Marques impedir, por decisão liminar, que Kassio Nunes Marques determinasse administrativamente a suspensão do canal.
Conforme mostrou a coluna, Flávio apresentou vídeos em que Lula dá orientações aos mais de 10 milhões de inscritos no canal para sustentar sua ligação com a campanha petista. A manifestação, porém, não pede expressamente a retirada do canal do ar.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraNa avaliação da defesa de Lula, Flávio tenta abrir caminho para uma futura suspensão ao pedir que o canal seja reconhecido como vinculado à campanha e submetido às regras que permitem sua retirada do ar em caso de irregularidades.
Os advogados pedem que Mendonça rejeite as petições apresentadas por Flávio em 17 e 23 de outubro. Eles argumentam que o candidato não pode atuar no processo de registro da candidatura de Lula e que eventuais irregularidades do canal devem ser discutidas em outro procedimento.
A defesa também solicita que o endereço do “Exército do Lula”, informado ao TSE por determinação de Kassio, seja retirado do registro da candidatura, sem que isso implique uma decisão sobre a existência de vínculo com a campanha.
Caso Mendonça não acolha o pedido, os advogados solicitam que o canal seja mantido provisoriamente no registro, sem reconhecimento de vínculo oficial e sem aplicação automática das regras que permitem a suspensão do canal.
O pedido ainda não foi analisado por Mendonça.
Vídeos
Para associar o canal de Janones à campanha de Lula, os advogados de Flávio citam vídeos publicados nas redes sociais e a transmissão ao vivo realizada pelo presidente na noite dessa quinta-feira (22/10).
Entre os exemplos apresentados está uma gravação em que Janones afirma que Lula comprou um celular exclusivamente para participar das atividades do canal e enviar orientações aos seguidores.
“(…) Aqui, presidente comprou o celular, está aqui na mão dele, está agora já mandando missão direta lá no exército, agora eu vou deixar com ele que ele vai falar com vocês, é a primeira apresentação do nosso Marechal Silva com os soldados do nosso exército, fala com a tropa, presidente”, disse Janones.

