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Manoela Alcântara

Flávio entrega ao TSE vídeos de Lula dando orientações a canal de Janones

Defesa usa declarações do presidente para sustentar vínculo do “Exército do Lula” com a campanha petista

YouTube/Lula
Presidente Lula durante live com o deputado federal André Janones (Rede-MG)

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), novos documentos que, segundo os advogados, demonstram a ligação direta do “Exército do Lula” com a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O material foi apresentado na tarde desta sexta-feira (23/10), em meio à tentativa da campanha do petista de desvincular o canal. 

Os advogados citam vídeos publicados nas redes sociais e a transmissão ao vivo realizada por Lula na noite dessa quinta-feira (22/10). Segundo a defesa de Flávio, as declarações mostram que o presidente deu orientações aos seguidores do canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

Entre os exemplos apresentados está uma gravação em que Janones afirma que Lula comprou um celular exclusivamente para participar das atividades do canal e enviar orientações aos seguidores.

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“(…) Aqui, presidente comprou o celular, está aqui na mão dele, está agora já mandando missão direta lá no exército, agora eu vou deixar com ele que ele vai falar com vocês, é a primeira apresentação do nosso Marechal Silva com os soldados do nosso exército, fala com a tropa, presidente”, disse Janones.

Na sequência, Lula afirma que, “como é meu exército, eu tenho que conversar com o meu exército, porque nós temos uma grande batalha para fazer, uma batalha que vai envolver milhões de pessoas e que o meu exército está afiado (…)”.

A defesa de Flávio também cita uma publicação conjunta de Lula e Janones no Instagram. No vídeo, o presidente afirma que o canal tinha 8,8 milhões de seguidores e pede novas adesões para alcançar 10 milhões após o debate presidencial da Globo, marcado para a noite desta sexta-feira.

“Bom dia, Exército do Lula. (…) Nós já estamos com 8 milhões e 800 mil soldados inscritos. (…) é importante que você comece a entrar no Exército já, porque eu quero ver se a gente chega, depois do debate, a 10 milhões de soldados. Vai ser o maior Exército do mundo e eu preciso de vocês. (…) Bora, Exército do Lula. Vamos para a vitória”, diz Lula, em trecho reproduzido pelos advogados na petição.

O pedido ainda não foi analisado por Mendonça.

TSE nega ordem para retirar canais

Mais cedo, o TSE afirmou que não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar.

Em nota, a Corte explicou que os prazos nos processos de propaganda eleitoral são sempre curtos e que os despachos mencionados apenas solicitam informações às plataformas.

“O TSE não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar. Os prazos dos processos de propaganda são sempre curtos. Ilações a partir desses despachos que pedem informação em tempo curto são absolutamente indevidos”, afirmou o tribunal.