INSS concede auxílio-doença a cozinheira que trabalhou na mansão de Neymar
Cozinheira afirma ter trabalhado até 16 horas por dia na mansão. INSS concedeu auxílio-doença após série de atestados médicos

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu auxílio-doença à cozinheira que trabalhou na mansão do atacante Neymar Jr., em Mangaratiba (RJ), e alegou cumprir jornadas de até 16 horas por dia.
Documentos obtidos pela coluna mostram que a funcionária foi afastada do trabalho em novembro do ano passado, após apresentar uma série de atestados médicos, e recebeu o benefício por cerca de 14 dias.
Os advogados da cozinheira afirmam que, ao carregar carnes e outros utensílios pesados, ela desenvolveu problemas na coluna e inflamação no quadril.
A cozinheira trabalhou de julho a novembro na mansão do jogador. A ação movida pela defesa sustenta que, apesar do afastamento, houve rescisão indireta do contrato em 28 de fevereiro deste ano, encerrando o vínculo entre as partes.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraEm um dos benefícios por incapacidade temporária, consta comunicação oficial assinada pelo então presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, informando a concessão.
“O início do benefício foi fixado em 11/12/2025 e a cessação será em 25/12/2025. Caso não se sinta apto para o trabalho ou atividade habitual, a partir de 14/01/2026, poderá pedir novo benefício pelo Meu INSS ou pela Central 135. O tempo total em benefício(s) por análise documental não poderá ultrapassar 90 dias”, diz o documento.
Apesar de ter sido contratada por uma empresa terceirizada, a cozinheira também incluiu o atleta no processo por ser o tomador dos serviços — o que, na Justiça do Trabalho, pode implicar responsabilização subsidiária ou solidária.
Conforme já mostrou a coluna, a trabalhadora relatou que chegou a cozinhar para até 150 pessoas diariamente.
Segundo a cozinheira, ela atuou na residência oficial do jogador, conhecida como Casa Hotel Portobello, além de um condomínio ao lado, o Condomínio Portobello.
O horário previsto em contrato era das 7h às 17h, de segunda a quinta-feira, e das 7h às 16h às sextas-feiras. Segundo o processo, porém, a jornada não era cumprida nesses moldes, e a trabalhadora frequentemente extrapolava o horário, chegando a atuar mais de 14 horas por dia, em média.
A funcionária afirma que, em algumas ocasiões, estendeu a jornada até as 23h e até a meia-noite, preparando refeições do café da manhã ao jantar para o atleta e convidados.
Procurada, a assessoria de Neymar não se manifestou. O processo corre na 1ª Vara do Trabalho de Itaguaí (RJ).
Esforço físico
Segundo a cozinheira, o esforço físico para carregar carnes e outros utensílios pesados na casa do jogador da Seleção Brasileira teria provocado problemas na coluna e inflamação no quadril. Ela afirma ter realizado consultas e exames médicos para diagnosticar as lesões e pede que Neymar lhe pague pensão.
Embora tivesse salário registrado de cerca de R$ 4 mil, a cozinheira afirma que recebia, em média, R$ 7,5 mil mensais com horas extras e adicionais. Segundo a ação, mesmo contratada para trabalhar apenas durante a semana, ela também teria desempenhado funções aos fins de semana, especialmente aos domingos.
“A reclamante não usufruiu regularmente do intervalo intrajornada. Durante todo o pacto laboral, a reclamante era obrigada pela reclamada a registrar o ponto relativo ao intervalo intrajornada, embora permanecesse em efetivo labor nesse período”, afirma a defesa da profissional na petição.
Nos termos do artigo 71 da CLT, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, uma hora para jornadas superiores a seis horas de trabalho.
Ao todo, a cozinheira pede que Neymar e a empresa terceirizada que a contratou para prestar serviços na mansão paguem R$ 262 mil, valor que inclui verbas rescisórias, FGTS e multa, pagamento de horas extras e intervalos, indenização por dano moral, além de despesas médicas e pensão.
Mansão
Neymar é dono de duas mansões em Mangaratiba, sendo uma delas avaliada em R$ 28 milhões, com 5 mil metros quadrados, seis suítes, piscina, área de lazer e até um “puxadinho” com 10 suítes para acomodar os amigos. É nessa que a funcionária trabalhava.
A outra casa fica no condomínio Aero Rural e ficou conhecida por ter um lago artificial. O imóvel chegou a ser alvo de interdição pela Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba. O atleta foi multado em R$ 16 milhões, mas conseguiu suspender o valor e acabou absolvido no caso.

















