
Manoela AlcântaraColunas

Gilmar diz que Vieira “esqueceu dos seus colegas milicianos” em relatório da CPI. Veja vídeo
Gilmar diz que CPI ignorou milicianos e desviou foco da investigação para atingir o STF
atualizado
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou o relatório da CPI do Crime Organizado, relatado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e disse que o parlamentar “esqueceu dos seus colegas milicianos”.
Em sessão na Segunda Turma, Gilmar subiu o tom. Mais cedo, o ministro já havia se manifestado pelas redes sociais sobre o relatório que propôs o indiciamento dele, além dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Gilmar afirmou que, ao saber da inclusão de seu nome no relatório, reagiu com curiosidade.
“Quando vi o meu nome inserido nessa tal lista de indiciados, por parte do senador relator, neste caso, eu disse: é curioso. Ele [Alessandro Vieira] se esqueceu dos seus colegas milicianos. Decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus. Mas só esse fato narrado já demonstra o quanto nós descemos muito da escala das degradações”, pontuou o ministro na tarde desta terça-feira (14/4).
O decano afirmou que a CPI foi instaurada para investigar o crime organizado, especialmente após o confronto entre a polícia e integrantes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro no ano passado, mas criticou a atuação da comissão.
Segundo o ministro, a CPI “não promoveu sequer a quebra de sigilos de milicianos ou integrantes de facções que controlam territórios no Rio de Janeiro”.
“É chocante. Por isso, causa perplexidade que o relator da CPI, oriundo das fileiras policiais, não tenha dirigido suas apurações para aqueles que, abandonando o dever público, cruzaram para o lado das milícias e passaram a oprimir as próprias comunidades que deveriam proteger”, disse.
“Obter votos”
O ministro Dias Toffoli, também incluído no relatório, reagiu e classificou o documento como “aventureiro” e uma tentativa de “obter votos”.
Toffoli classificou o relatório como “antidemocrático” e “corrupto” e afirmou que “essas pessoas não merecem a dignidade de ter a possibilidade de ser elegível”.
“É um relatório completamente infundado, sem base jurídica, sem base em verdade factual e com um único e nítido sentido de obter votos. Isso é abuso de poder”, disse o ministro.
