
Manoela AlcântaraColunas

O primeiro foragido do 8 de Janeiro que Moraes mandou prender em 2026. Veja vídeo
Condenado a 14 anos, réu rompeu tornozeleira e é considerado foragido. Moraes mandou prender no dia que completou 3 anos dos atos de 8/1
atualizado
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Relator dos processos ligados à tentativa de golpe, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes expediu o primeiro mandado de prisão de 2026 relacionado aos atos de 8 de Janeiro. O alvo é João Paulo Silva Matos, já condenado e agora considerado foragido da Justiça.
João Paulo foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado. Natural de Londrina (PR), participou da invasão ao Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023 e foi identificado pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em vídeos gravados nos stories dentro do prédio, nos quais aparece incitando um golpe de Estado.
O mandado tem um simbolismo evidente: foi expedido exatamente em 8 de Janeiro deste ano, quando os ataques às sedes dos Três Poderes completaram três anos.
Nas gravações citadas no processo, João Paulo grita dentro do Planalto:
“Os policial que tá tentando contra o povo tá levando a pior. Já tem viatura voltando para trás, tudo fudida. O papo é reto. Bora. Vem aqui Alexandre de Moraes, seu bosta. Tamo aqui dentro e lutando. É nosso ou não é? É ou não é? É nossa essa bosta [Palácio do Planalto], ou não? (sic)”
No julgamento, realizado no plenário virtual do STF, Moraes foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin. Luiz Fux abriu divergência e votou por uma pena menor, de quatro anos. Ainda assim, prevaleceu a condenação mais dura. O processo transitou em julgado em 7 de janeiro.
Foragido
João Paulo estava em liberdade desde dezembro de 2023. À época, Moraes havia flexibilizado a prisão, impondo medidas cautelares, entre elas a obrigação de permanecer no Paraná e o uso de tornozeleira eletrônica. Ele também foi alvo da operação Lesa Pátria, da PF.
Com a nova ordem de prisão, no entanto, o condenado simplesmente desapareceu do radar judicial. O sinal da tornozeleira eletrônica foi desativado, e João Paulo deixou de comparecer à 5ª Vara Criminal de Londrina para o cumprimento das apresentações semanais.
Segundo o último registro oficial, a tornozeleira foi rompida em 9 de janeiro, às 16h40. Como não houve recarga do equipamento nem apresentação voluntária para inspeção, o governo do Paraná desativou o monitoramento no sistema interno. Desde então, João Paulo é tratado oficialmente como foragido.






