Flávio Bolsonaro vai ao TSE contra Lula por uso do Alvorada em entrevista
Os advogados de Flávio Bolsonaro alegam ao TSE uso eleitoral do Palácio da Alvorada por entrevista concedida por Lula como candidato

O senador Flávio Bolsonaro (PL) entrou com uma representação eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na petição, os advogados de Flávio acusam Lula de cometer conduta vedada ao usar as dependências do Palácio da Alvorada para a gravação de uma entrevista exclusiva de teor eleitoral.
Os advogados pedem que o TSE determine a Lula que se abstenha de usar o Palácio da Alvorada ou serviços públicos de acesso exclusivo para gravar e transmitir conteúdos eleitorais, além da proibição do uso de trechos ou cortes da entrevista de emissora na propaganda de campanha e nas redes sociais do candidato.
Os defensores relatam que a gravação foi realizada no interior da residência oficial da Presidência e exibida na noite do dia 23 de agosto, mesma data e horário em que outra emissora de TV transmitia o primeiro debate televisionado entre os candidatos à Presidência, evento do qual Lula decidiu não participar.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraAssimetria
Os advogados de Flávio sustentam que a situação gerou uma assimetria na disputa. “Enquanto os concorrentes debatiam sob regras rígidas e em confronto direto, o atual presidente se apresentava individualmente a milhões de telespectadores a partir de um cenário palaciano indisponível aos demais adversários”, alegam os defensores de Flávio ao TSE.
A acusação argumenta ainda que a entrevista “não teve caráter estritamente institucional ou urgente de governo”. E ressaltam que o uso de bens públicos para tal fim é expressamente proibido pela legislação.
Durante a conversa, Lula respondeu a questionamentos sobre segurança pública, corrupção e economia, além de traçar propostas e prioridades explícitas para um eventual “próximo mandato”, como a criação de programas voltados a idosos e a ampliação de escolas em tempo integral.
Uso da máquina pública
A petição se fundamenta no artigo 73, inciso I, da Lei nº 9.504/1997, que proíbe agentes públicos de ceder ou usar bens móveis ou imóveis da administração pública em benefício de candidatos.
A defesa de Flávio Bolsonaro citou precedentes firmados pelo próprio TSE nas eleições de 2022, que limitaram o uso de dependências presidenciais pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.




