Em posse no TSE, Nunes Marques diz que IA será o grande desafio da eleição
Em primeiro discurso como presidente do TSE, Nunes Marques apontou para os desafios que serão enfretados nas eleições gerais de 2026
atualizado
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O ministro Nunes Marques tomou posse, nesta terça-feira (12/5), como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No primeiro discurso à frente da Justiça Eleitoral, o magistrado apontou que a Inteligência Artificial (IA) será o grande desafio a ser enfrentado nas eleições de 2026.
Para o presidente do TSE, a IA pode ser benéfica, mas é preciso atenção para evitar que a tecnologia seja usada de forma equivocada nas campanhas eleitorais. Nunes defende que o poder da decisão do voto precisa estar na mão do eleitor, e não de “uma máquina”.
“O futuro da nossa democracia não será delineado por máquinas, mas pelos milhões de brasileiras e brasileiros que depositaram nas urnas sua mensagem de esperança, traduzida no voto direto, secreto, universal e periódico. Proteger a democracia significa também ampliar o acesso à participação política e remover barreiras históricas ao exercício da cidadania”, disse Nunes Marques.
A posse de Nunes Marques marca a transição da gestão de Cármen Lúcia para o novo comando, que tem ainda André Mendonça como vice-presidente.
A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), e dos pré-candidatos ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).
Autoridades como a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também estiveram presentes.
No discurso de posse, o presidente do TSE destacou que o desafio da Corte não é apenas tecnológico, mas também institucional, cultural e humano. Segundo ele, a desinformação deliberada e a manipulação do debate público representam ameaças reais à democracia.
“Refiro-me, especial e novamente, ao perigo potencial do uso desordenado das ferramentas de inteligência artificial. Vivemos em uma era que as campanhas eleitorais não chegam às urnas sem antes atravessar algoritmos e que a disputa política já não se desenvolve apenas nas ruas e nos espaços tradicionais da vida pública, mas também de maneira intensa”, afirmou.
Nunes Marques afirmou que, para cumprir seu papel, a Justiça Eleitoral deve atuar “com independência, equilíbrio e prudência, sem omissão diante de ameaças concretas ao processo democrático, mas também sem incorrer em excessos incompatíveis com o Estado Democrático de Direito”.

