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Manoela Alcântara

Deputados do PT querem suspender transferência de imóvel para Willer Tomaz

Parlamentares querem a suspensão da transferência do terreno, a indisponibilidade dos direitos de ocupação e providências pela SPU

21/10/2026 16:18
Rafaela Felicciano/Metrópoles
Deputados do PT querem suspender transferência de imóvel para Willer Tomaz

Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC), líder do PT na Câmara, pediram ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspenda os efeitos do ato da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) que transferiu à WT Administração de Imóveis e Bens S/A, dirigida por Willer Tomaz, os direitos de ocupação de um imóvel da União na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.

O pedido ocorre no contexto do inquérito sob relatoria de Moraes, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz.

A petição demanda esclarecimentos sobre a origem dos recursos, a participação da empresa na operação, uma eventual influência política junto à SPU e a atuação dos servidores responsáveis pelo processo.

Entre as medidas pedidas estão a suspensão da transferência, a indisponibilidade dos direitos de ocupação e a adoção de providências pela SPU para anular o ato e reverter os direitos à União.

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Os parlamentares também pedem a oitiva de Alencar da Silveira Júnior, do jogador Richarlison, de servidores públicos e de pessoas ligadas às empresas envolvidas.

“Não dá para tratar esse caso como um episódio isolado. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz estão no centro de apurações sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Agora, documentos apontam que uma empresa dirigida por Willer recebeu direitos sobre um imóvel da União em uma transferência cercada de questionamentos”, afirma Rogério Correia.

“Queremos saber quem viabilizou esse negócio, quem se beneficiou e se houve favorecimento político. O patrimônio público pertence ao povo brasileiro e não pode ser usado para beneficiar aliados. É preciso suspender a transferência, investigar os envolvidos e garantir que o patrimônio seja recuperado pela União”, diz o parlamentar.

“Irregularidades graves”

A petição aponta que o pedido foi apresentado em nome da antiga ocupante 10 dias depois de a venda já estar contratada. Diz ainda que declarou uma ocupação familiar que não existia e foi deferido em pouco mais de dois meses, sem parecer ou decisão motivada.

Os deputados afirmam existir “irregularidades graves” na instrução do processo cadastral e cartorário. Ressaltam que imóvel não tem memorial descritivo nem coordenadas geográficas delimitadas.

Apontam ainda que as medições da área apresentam divergências, variando de 1.435,50 m² a 10.875 m² conforme a fonte consultada.