Depoimento de Daniel Vorcaro à PF sobre BRB durou cerca de 4 horas
O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal, nesta quinta-feira (15/10), para falar sobre as relações com o BRB

O ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou novo depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (15/10). Durante 4 horas, Vorcaro falou sobre as relações entre o Master e o Banco de Brasília (BRB).
Daniel Vorcaro cumpre prisão preventiva desde 4 de março deste ano. Em junho, ele foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local conhecido como Papudinha, em Brasília. A delegada responsável pelo caso foi até o local para ouvir o ex-banqueiro. Os outros depoimentos do banqueiro vinham sendo prestados por videoconferência.
A PF deflagrou a Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, para apurar a compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master supostamente falsas.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril deste ano. Ele é suspeito de receber propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor executivo financeiro e de controladoria do BRB também foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da Compliance Zero. Ele foi afastado do cargo em novembro de 2025.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraAumento de capital
Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF destacou que, em outubro de 2024, em troca de mensagens com Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa, manifestou preocupação com a repercussões no mercado sobre o aumento de capital do BRB para comprar o Master e enfatizou a necessidade de “dar sinais ao mercado”.
As mensagens são trocadas em proximidade temporal com a autorização, pelo acionista controlador, do aumento de capital de R$ 750 milhões já submetido ao Conselho de Administração.
Para a Polícia Federal, o conjunto dos elementos indica que, já em outubro de 2024, a aquisição e a integração do Master ao BRB estavam definidas no plano estratégico decisório, com o aumento de capital e o desenho acionário funcionando como etapas preparatórias para a consolidação futura.
Segundo as investigações, após o ingresso do grupo Master na base acionária do BRB, o banco passou a adquirir, “em volume expressivo, carteiras de crédito, instrumentos estruturados e outros ativos originados do próprio grupo investidor, totalizando bilhões de reais em operações concentradas em curto intervalo temporal”.
“Tal dinâmica evidencia circularidade econômica e dependência financeira artificialmente construída, criando incentivo direto para internalização de ativos de maior risco, com impacto relevante sobre a solidez financeira da instituição pública”, diz trecho do relatório da PF enviado ao STF.

