
Manoela AlcântaraColunas

Após ameaça, deputado aciona Motta para rever credencial de militar. Veja vídeo
Pedido ocorre após Dino proibir deputado de se aproximar e manter contato com militar após ameaça
atualizado
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O deputado federal Coronel Meira (PL-PE) acionou a Presidência da Câmara dos Deputados para revisar o credenciamento do militar após ameaçá-lo ao dizer que resolveria os problemas “no braço” e “na bala”.
A medida ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinar que o parlamentar mantenha distância mínima de 50 metros e não tenha qualquer contato com o homem.
O documento foi endereçado ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e sustenta que, sem a revisão do credenciamento, o deputado não poderá exercer plenamente o mandato, já que a cautelar o impediria de desempenhar suas funções.
“A decisão que impõe distância mínima de 50 metros, junto com o credenciamento atual do coronel Elias Miler, acaba criando uma barreira prática dentro da própria Casa. Na hora de circular, trabalhar e cumprir meu mandato, isso vira um obstáculo real. E quem perde com isso é o cidadão que me elegeu”, disse o deputado, em nota (leia a íntegra abaixo).
O atrito entre o deputado e a vítima, identificada como o coronel Elias Miler, ocorreu em 7 de outubro do ano passado, durante reunião da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, que discutia, em audiência pública, o significado das tatuagens no mundo do crime.
Segundo Miler, que representa uma associação nacional de militares estaduais, o deputado se dirigiu a ele e a outro colega. Na ocasião, teria cumprimentado o segundo, mas não o coronel, dizendo: “você eu cumprimento, mas esse filho da puta eu não cumprimento”.
Dentro da comissão, o parlamentar afirmou que, no fim de semana anterior, viu uma postagem atribuída à vítima com supostas críticas a ele. Coronel Meira declarou que resolve os problemas “no braço” e “na bala”.
“Tá aqui, traidor da tropa e cita meu nome textualmente. Então simplesmente eu cheguei aqui e disse que quem fez isso aqui é um filho da puta, e aí o coronel veio para cima de mim questionando se eu estava falando com ele. Se a carapuça caiu na cabeça dele é problema dele. Agora meus problemas eu resolvo, tá certo, Miler? Aqui dentro no braço, lá fora na bala. Eu não vou ficar desonrado”, disse o parlamentar.
Antes desse episódio, a vítima relatou que o parlamentar também atingiu a honra dele ao fazer referência à mãe, já falecida. Ao indagar o porquê das ofensas, o deputado teria respondido que “se a carapuça coubesse, era ao querelante que ele se referia”.
Segundo Dino, diante da gravidade do episódio e da possibilidade de o parlamentar portar arma de fogo, foi deferida medida cautelar para que o deputado se abstenha de manter qualquer tipo de contato com a vítima, direto ou indireto, e não se aproxime a menos de 50 metros — a proibição também vale para mensagens via celular, e-mail ou outros meios.
“Expeça-se um único mandado com dúplice finalidade: intimação do querelado para que tome ciência e cumpra a cautelar deferida nesta decisão; sua notificação […] para, querendo, oferecer resposta no prazo de 15 (quinze) dias.”
Nota
Sobre a matéria publicada pelo Metrópoles nesta quarta-feira, dia 1º de abril de 2026, venho falar com clareza e tranquilidade para o cidadão brasileiro.
Tudo aconteceu dentro da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, durante uma audiência pública, no dia 7 de outubro de 2025. Foi no exercício normal do meu mandato parlamentar.
Fui eleito pelo voto direto do povo de Pernambuco. Meu mandato vem do povo, e o lugar onde eu tenho de exercer esse mandato é aqui, dentro da Câmara. É neste espaço que circulo o dia inteiro, participo de reuniões, comissões e articulações para defender os interesses de quem me elegeu.
O debate firme e direto faz parte da vida parlamentar. É assim que funciona a democracia: o deputado eleito tem o direito e o dever de falar com clareza em defesa das suas ideias e do mandato que o povo lhe confiou. O Parlamento é o espaço legítimo para esse exercício.
A decisão que impõe distância mínima de 50 metros, junto com o credenciamento atual do coronel Elias Miler, acaba criando uma barreira prática dentro da própria Casa. Na hora de circular, de trabalhar e de cumprir meu mandato, isso vira um obstáculo real. E quem perde com isso é o cidadão que me elegeu.
Por isso, já enviei ofício ao Presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, pedindo a revisão do credenciamento do coronel Miler sem prejuízo à entidade. A associação poderá indicar outro representante, garantindo que seus trabalhos continuem normalmente na Casa parlamentar. O problema é só com a presença específica do coronel Miler, que está gerando essa restrição injusta.
O que está em jogo aqui não é uma briga pessoal. É o direito de um deputado eleito cumprir seu dever com o povo. Não vou aceitar que uma limitação externa atrapalhe o trabalho que o eleitor me confiou.
Continuo firme no compromisso que assumi: defender a segurança pública e trabalhar todos os dias pelo povo de Pernambuco, com a independência que o mandato popular exige.
Coronel Meira
Deputado Federal (PL-PE)






