Manoela Alcântara

Advogado da AtlasIntel diz no TSE que questionamento do PL é político

O advogado Gualter Bezerra afirma que o PL não traz em questionamento no TSE discordância na metodologia, mas sim política

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 tse-julga-decisao-que-suspendeu-atlasintel-sobre-flavio-bolsonaro-metropoles–3 - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O advogado da AtlasIntel, Gualter Rafael Maciel Bezerra, defendeu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a discordância do Partido Liberal sobre pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto é “política”. O levantamento da AtlasIntel foi divulgado após a revelação de conversas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre o financiamento do filme Dark Horse, que contará a trajetória do ex-presidente.

O plenário do TSE julga, na noite desta terça-feira (9/6), o referendo da decisão do ministro Kassio Nunes Marques que suspendeu a divulgação da pesquisa por “indício de manipulação”.

Durante sustentação oral, Gualter Bezerra argumentou que “a representação não traz discordância da metodologia, mas sim com relação a um fato político, público e notório, qual seja a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e com a questão do Banco Master”. Veja vídeo:

Para o defensor da AtlasIntel, o PL “não trouxe nenhuma prova de contaminação cognitiva. Foi apenas presumida a partir de leitura objetiva de que o candidato estaria prejudicado”, afirmou durante sustentação oral.

A advogada do Partido Liberal, Maria Claudia Bucchianeri sustentou que o levantamento da AtlasIntel/Bloomberg apresenta falhas metodológicas, uso de técnicas de indução de respostas e omissão de um vídeo que teria sido exibido aos entrevistados.

“E eu nem precisava adentrar nos outros problemas, que são graves também e que se referem à técnica de framing e de induzimento. A pergunta de qual é a sua visão, positiva ou negativa, de diversas autoridades, não apenas Flávio Bolsonaro, Lula, Hugo Motta, Davi Alcolumbre, ela é apenas a de número 22″, disse em plenário.

A advogada prosseguiu: “Depois de o candidato, o pré-candidato do PL, ter sido submetido a todo tipo de observação envolvendo o escândalo [Banco Master], onde ele nem sequer é investigado, se ele deveria ou não manter a sua candidatura, isso nunca foi colocado na mesa. E só no item 22 pergunto: qual é a sua visão sobre ele, positiva ou negativa? Nenhum dos outros candidatos cujos nomes estão expostos ali se submeteu a esse framing.”

Julgamento

O referendo foi iniciado com o voto do ministro Nunes Marques pela manutenção da suspensão da pesquisa. Em seguida, a ministra Estela Aranha pediu vista e suspendeu o julgamento.

Ao conceder a liminar, Kassio atendeu a pedido do Partido Liberal (PL) e apontou indícios de comprometimento da metodologia adotada pela AtlasIntel.

Segundo o ministro, há elementos que sugerem possível indução dos entrevistados, entre eles a inclusão de conteúdos relacionados a investigações e o uso de perguntas com carga valorativa negativa.

“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, afirmou.

Para Kassio, a controvérsia não se limita a divergências metodológicas, mas envolve a possibilidade de utilização do questionário como mecanismo de indução dos entrevistados.

O ministro destacou ainda que, ao analisar outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE, não encontrou questionários com estrutura semelhante, nem a utilização de áudios, como ocorreu no levantamento contestado.

Pesquisa

Na pesquisa AtlasIntel divulgada em abril, Lula e Flávio Bolsonaro apareciam tecnicamente empatados em um cenário de segundo turno. O senador tinha 47,8% das intenções de voto, enquanto o presidente registrava 47,5%.

Já no levantamento divulgado em 19 de maio, Lula apareceu com 48,9%, ante 41,8% de Flávio. O resultado indicou queda de seis pontos percentuais para o senador entre uma pesquisa e outra.

Ao acionar o TSE, o Partido Liberal alegou divulgação de pesquisa fraudulenta, questionou a metodologia utilizada e sustentou que o questionário teria sido estruturado para induzir percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro.

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