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“Se destaca no mercado quem resolve problemas”, diz Bruna Richard

Em entrevista ao Metrópoles, a ex-sócia fundadora da agência fullDesign fala sobre diferenciação e acessibilidade no mercado de comunicação

atualizado 30/04/2021 14:13

bruna richardDivulgação

Mineira daquelas que adoram conversar tomando café e comendo pão de queijo, a diretora de criação Bruna Richard, de 40 anos, mora desde 2002 em Brasília, quando se mudou para fundar, ao lado de dois sócios, a empresa de publicidade fullDesign.

“Começamos com uma agência de internet. Naquela época a gente podia dizer que ‘aquilo tudo era mato'”, relembra. Mesmo pioneiros no mercado digital, ela diz que logo perceberam que o mercado precisava de algo mais. “Lançamos o conceito de Comunicação Integrada, uma agência que integraria tudo, on-line e off-line. Crescemos, ganhamos mais de 15 prêmios, fizemos muitas coisas legais”, conta.

No entanto, no início deste ano, ela vendeu sua participação na agência para viver projetos pessoais que estavam engavetados. Em meio as mudanças, voltou para graduação. “Vi no Service Design uma evolução do meu trabalho como diretora de criação. O design de serviço coloca o usuário no centro e analisa qual a melhor forma do produto ou serviço interagir com ele. Um processo amplo, estruturado, analítico e inteligente”, explica Bruna.

Confira a entrevista completa a seguir.

Quais você acha que são os maiores gargalos da comunicação/publicidade hoje?
O mercado nunca esteve tão exigente, quem brincar fica para trás. Só vai ficar de pé quem, de fato, souber o que está fazendo. Aliás, isso vale para qualquer área, não é só o mercado publicitário, não. Como se destacar? Quem souber resolver problemas. Essa é a profissão do futuro: resolvedor de problemas. Aquele que souber entender o que o usuário precisa e souber resolver da melhor maneira possível. Mas, você deve estar pensando, isso todo mundo faz né, Bruna! Não, não faz. Muitas agências supõem. Muitos clientes pensam que sabem dizer o problema no briefing e nesse ínterim surgem campanhas que o público não se identifica. No final, a verba foi gasta e o problema do cliente continua.

Analisar sobre a ótica do usuário, ter empatia, não é “supor” o que o usuário precisa, é chamá-lo e perguntar o que ele quer, como ele quer, como ele usa determinado produto ou serviço. Não é adaptação. As pessoas não são deficientes. É o seu produto que não está preparado para o seu cliente. Imagine uma TV em um bar com muito barulho, som alto. Para um deficiente auditivo, a legenda é acesso para que ele possa entender o conteúdo, mas, o bartender que está no balcão, de longe, também consegue ler e entender o que está na tela. Um jovem que está com dor de ouvido e não consegue ouvir direito também terá acesso. Então, o conteúdo foi pensado e criado para uma situação permanente, no caso do deficiente auditivo; situacional, do bartender; e temporária, do jovem com dor de ouvido.

A experiência do usuário precisa estar na estratégia de toda e qualquer empresa. É sobre contar histórias e, agora, com diferentes realidades. A acessibilidade vai além de um simples ajuste: é uma experiência.

Quais principais tendências você enxerga na comunicação/publicidade hoje?
Muito se fala de metaverso, no espaço coletivo e virtual acessível por dispositivos digitais, onde a realidade virtual, aumentada e internet se encontram criando uma nova dimensão. Com a pandemia, foi preciso se reinventar e criar experiências que antes só se conseguia no presencial. A tecnologia está aí, no centro de toda essa revolução das experiências imersivas. A SXSW 2021 trouxe muito desse assunto e várias empresas estão na vanguarda dessas imersões. Vale conferir.

Como se destacar no mercado hoje?
Para se diferenciar no mercado, minha dica de livro é da Youngme Moon: “Diferente, quando a exceção dita a regra”. É meu livro de cabeceira. Já li duas vezes e sempre que preciso volto nas minhas anotações para tirar insights. Não é um livro chato de negócios, Moon vai fundo na análise da mesmice, buscando o que faz a diferença na cultura do consumo. Traz cases daqueles que rejeitam as regras de administração em troca de uma abordagem bem ousada. Google, Red Bull, Nintendo, Harley-Davidson e Dove estão nessa lista. Empresas que entenderam que diferenciação não é uma tática, uma campanha publicitária. Diferenciação é uma mentalidade, é uma forma de se pensar.

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