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Mercado editorial: o marketing para o futuro pode estar no passado

Ao combinar o melhor do passado com as inovações do presente, o mercado editorial pode criar uma nova forma de valorizar o livro

atualizado

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Nos últimos anos, o livro físico tem vivido um renascimento após um período em que os e-books e audiobooks movimentaram o mercado editorial, impulsionados pelo avanço das tecnologias digitais. Isso porque digitalização tornou a leitura mais acessível e prática, ao mesmo tempo em que ofereceu novas formas de consumo literário.

Entretanto, o livro materializado – aquele que seguramos nas mãos, folheando página por página – está longe de desaparecer, encontrando uma nova relevância no cenário atual.

Diversos fatores têm contribuído para essa reaproximação dos leitores com o livro físico. A realização de eventos literários, como, por exemplo, a 70ª Feira do Livro de Porto Alegre, em novembro passado, que vendeu mais de 240 mil exemplares em apenas 20 dias, e o surgimento de livrarias especializadas, com títulos exclusivos e edições para colecionadores, são provas de que o interesse pelo livro impresso segue forte.

Esses números demonstram que os leitores não buscam apenas um meio de leitura, mas algo mais. O livro físico carrega um valor simbólico que vai além do conteúdo impresso, está na experiência que ele terá com a história em mãos.

Essa tendência nos ensina uma lição importante sobre as estratégias de marketing no mercado editorial. O setor precisa olhar para o passado e resgatar práticas que conferiram aos livros uma importância única.

Em épocas passadas, os livros eram criados com extremo cuidado: o design da capa, o tipo de papel, a diagramação e as fontes utilizadas eram pensados para criar uma experiência emocional para o leitor. O livro não era apenas um veículo de conteúdo, mas quase uma obra de arte.

Com o tempo, à medida que a produção se industrializou e os custos aumentaram, a busca por redução de despesas simplificou a produção, afetando a qualidade material dos livros. A capa, as ilustrações, o design e o tipo de papel, que antes conferiam personalidade às obras, passaram a ser simplificados em favor de uma produção mais barata e acelerada.

A boa notícia é que a busca dos leitores por um contato mais significativo com os livros físicos está trazendo de volta a valorização de uma produção mais artesanal no que diz respeito ao processo de pensar e planejar uma obra.

O que não significa que devemos abandonar as inovações tecnológicas ou o modelo de produção em massa. O futuro do livro físico pode estar na integração das lições do passado com as possibilidades da modernidade.

Algumas estratégias podem ser adotadas pelo setor editorial para reconectar o livro físico com seu valor cultural e estético.

Entre elas: investir na qualidade do material, ao invés de focar apenas na produção em larga escala; criar experiências personalizadas que fortaleçam o vínculo entre o leitor e o livro; reforçar o storytelling do produto e contar a história que aquela produção carrega, essas narrativas tornam o livro mais do que um item comercial, agregam valor afetivo.

Em um mundo cada vez mais virtual, em que as nossas experiências se dão através da tela, o livro físico com a sua mais pura essência traz de volta o prazer do toque, da textura e do cheiro do papel. Ao combinar o melhor do passado com as inovações do presente, o mercado editorial pode criar uma nova forma de valorizar o livro e que o fará resistir à era digital.

Maximiliano Ledur é sócio-diretor da editora AGE e presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro.

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