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Inimigo visível: o machismo estrutural
Combater situações que promovam a discriminação é dever de todos, diz Elise Passamani, Chief Culture and Operations Officer da Lew’Lara\TBWA
atualizado
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Um dos nossos grandes desafios como sociedade tem sido entender, reconhecer e combater o racismo estrutural. Combater a naturalização de situações que promovem a discriminação é dever de todos nós. Mas e quando falamos de machismo estrutural?
Os estudiosos sociais costumam defini-lo como um conceito filosófico e social que crê na inferioridade da mulher, e é a ideia de que o homem, em qualquer relação, é o líder superior. Como combater a perpetuação de uma cultura que constantemente massacra as mulheres com suas exigências avassaladoras, cobranças infundadas e críticas sexistas?
Ainda parece uma guerra de titãs ter de provar ao mundo que o nosso gênero não nos define. Eu, que carrego comigo todos os predicados do privilégio, sinto o peso do machismo estrutural desde que me entendo por gente. E essa é a realidade para a maioria das mulheres, se não, de todas.
Nós somos julgadas pelas nossas escolhas, se as temos, independentemente de quais são: casar ou não casar, ter ou não filhos, trabalhar fora ou em casa (quando você tem opção), se render aos padrões estéticos da sociedade ou se aceitar como você é, se escolhe usar roupas largas ou justas, se adota um estilo de trabalho mais acolhedor ou mais firme, e assim por diante.
No ambiente de trabalho não é diferente. Se você tem cólica menstrual é mimimi, mas se um homem tem uma cólica renal, é possível que seja carregado no colo. Se a mulher sai no meio do expediente para buscar um filho com febre na escola é, muitas vezes, escrutinada, mas se é um homem quem o faz, ele é endeusado. A maternidade e a paternidade não têm o mesmo peso. Os pais que participam ativamente da criação e cuidado de seus filhos são supervalorizados. Mas não seria apenas a obrigação deles?
A jornada dupla ou tripla das mulheres é completamente ignorada pela maioria. Está tudo bem para um homem, pai, chegar cansado do trabalho, mas não está tudo bem para uma mulher chorar de exaustão, quando chega igualmente cansada e ainda tem que cuidar da casa, da comida, da roupa, da depilação, dos filhos.
Romper cada um dos preconceitos que nos são impostos, só por sermos mulheres, é exaustivo. O dia 8 de março, para mim, não é uma celebração. É um lembrete institucionalizado de que não podemos normatizar a cultura impregnada de machismo em que fomos criadas e criados.
E atire a primeira pedra a mulher que nunca julgou a outra pela roupa, status civil, unhas por cortar dos filhos ou tom de voz usado em uma reunião mais ‘quente’. Sororidade e combate ao machismo estrutural caminham de mãos dadas, rumo a um futuro muito melhor para nós mesmas, nossos filhos e filhas e gerações que estão por vir.
O Dia Internacional das Mulheres não é sobre excluir, é sobre somar. Não é sobre mulheres contra os homens, é sobre todas e todos, juntos, por um mundo melhor e verdadeiramente igualitário.
Elise Passamani é Chief Culture and Operations Officer da Lew’Lara\TBWA.
