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O que vem depois?
É perceptível que as barreiras da exclusão estão sendo rompidas. Mas isso basta? Questiona Rejane Romano, diretora de comunicação da DPZ&T
atualizado
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Pauta frequente dos veículos de imprensa, das estratégias de negócios e de comunicação das maiores empresas do Brasil, a sigla ESG tornou as agendas ambiental, social e de governança indispensáveis nos atuais debates em torno da questão empresarial, principalmente no que diz respeito às boas práticas.
Mas o que vem depois? Pode ser que este questionamento pareça descabido frente ao fato de que não chegamos nem perto de alcançar a maturidade nas tais boas práticas que citei acima. Para não me prolongar, observemos apenas a temática social. Mulheres ainda não têm salários equiparados aos dos homens mundialmente. Mulheres, apesar de obterem maior formação acadêmica em relação ao gênero masculino, não ocupam, em sua maioria, os níveis hierárquicos mais altos. E, cabe ainda avaliar que “mulher” estamos analisando, pois se considerarmos marcadores sociais, como raça e orientação sexual, a desigualdade será ainda mais intensificada.
Mulheres pretas e trans têm ainda menos chances de alcançar a sonhada equidade. Deparam-se com desafios que o “S”, de social do ESG, terá muita, mas muita dificuldade mesmo para contemplar. Feminicídio, baixo grau de instrução e o pouquíssimo acesso aos espaços de poder e decisão são exemplos do distanciamento que vivem aquelas que estão à margem da sociedade.
Então, porque precisamos pensar em: o que vem depois? A premissa é desenhar o caminho aonde queremos chegar e, feito isso, entender que cumpri-lo não se trata de um ponto final. Mas sim de um (re)começo para novas demandas que estarão postas e que da mesma forma precisarão de atenção, dedicação e investimento.
A democratização do acesso à informação e à tecnologia estão cada vez mais movimentando e impondo um ritmo muito acelerado à forma como vivemos e nos relacionamos. Antecipar movimentos, na vida e no xadrez, é a estratégia de quem entende que o planejamento está no cerne do sucesso.
Planejar-se para a continuidade das ações que deverão ser potencializadas num futuro bem próximo, quanto à agenda social e à diversidade nas empresas, é imperativo.
Pesquisa realizada pela McKinsey & Co nos conta que empresas com mais diversidade de gênero na liderança têm mais de 25% de chances de maior retorno financeiro do que as concorrentes; empresas com mais de 30% de mulheres nos cargos executivos da alta liderança são mais propensas a uma melhor performance de 10 a 30% do que empresas que não têm mulheres nesses cargos; empresas com o maior número de mulheres em nível hierárquico mais alto têm uma diferença de performance gritante – 48% a mais do que a concorrente com menos mulheres; e empresas com diversidade étnica e cultural tiveram uma performance 36% melhor.
Para acelerar os negócios, o que nos cabe é fazer da diversidade uma estratégia de performance. E está aí um ponto de atenção (e atuação). O que vem depois de, a olhos vistos, percebermos que pessoas pretas estão alcançando mais visibilidade? Seja nos filmes publicitários, como influenciadores, representando marcas… é perceptível que as tais barreiras invisíveis da exclusão estão sendo rompidas. Mas isso basta?
A resposta é categoricamente não! Se falamos sobre ampliar os negócios e também de como a diversidade traz lucro, temos que entender sobre interseccionalidade. Devemos considerar recortes dentro dessa diversidade e, retomando aos exemplos que já discorri neste texto, focarmos nas mulheres que se encontram em situação de maior vulnerabilidade social.
Ter Ações Afirmativas como um Plano de Diversidade e Grupos de Afinidade são caminhos promissores que estamos implementando aqui na DPZ&T. Parte das minhas entregas na agência correspondem a essa frente de atuação. Demandas que me são caras e ressoam de forma muito positiva dentro da mulher que por muito tempo não ousou sequer sonhar em estar aqui hoje.
Ver que meu trabalho dentro da agência já tem resultado em bons frutos fora, em consonância ao entendimento de nossos clientes de que esse é o caminho, me traz conforto, ao passo que me inquieta. Pois, “o que vem depois?” é o questionamento essencial de quem entende que há muito a ser feito. Que cada passo importa, mas que os objetivos devem ser ampliados a cada conquista.
Compartilhar com os nossos times de Influência, Social e Criação esse olhar sobre a diversidade – que passa longe do assistencialismo e entende e insere como plano de negócios -, tem sido um daqueles projetos que, ao término do dia, nos explicam o porquê de estarmos aqui e sobre qual legado queremos deixar.
Ter o engajamento da alta liderança é indispensável. Entendendo a necessidade das transformações, estipulando metas e buscando a sociedade extraordinária, que aqui na DPZ&T faz parte da nossa missão e está intrínseca em nossos pilares de atuação como uma aceleradora de negócios. Que o amanhã seja a resposta de nossos anseios, frente ao que estamos construindo.
Rejane Romano é diretora de Comunicação da DPZ&T. Entre 2016 e 2021 esteve na Coordenação de Comunicação do Instituto Ethos. Rejane é pós-graduada em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo (USP).
