
Lucas PasinColunas

Choro e medo de prisão: o que mãe de Oruam diz em forte desabafo
Oruam é considerado foragido após suposta violação das diretrizes relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica
atualizado
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Márcia Gama, mãe do rapper Oruam, usou as redes sociais para comentar a informação de que a Polícia Federal foi comunicada para prender o artista caso ele tente deixar o Brasil. O cantor é filho de Marcinho VP e é considerado foragido após suposta violação das diretrizes relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica.
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Márcia falou sobre a situação do filho e negou que ele tenha intenção de sair do país.
“É notório que vocês estão vendo que estou um pouco mal. E quero estar falando que vi uma matéria agora em que a Polícia Federal foi comunicada que meu filho pretende sair do Brasil, pretende fugir. Deixa eu dizer uma coisa para vocês: isso não é verdade”, afirmou.
Durante o relato, ela também comentou sobre a repercussão do caso e reconheceu a gravidade do descumprimento de decisões judiciais: “Sei que a mídia tem um poder muito forte de invadir a nossa casa e passar as coisas. Realmente o que está acontecendo é sério. Descumprir ordem judicial é muito sério, eu sei. Sou mãe, à favor da lei”.
Ainda no vídeo, Márcia afirmou que o filho enfrenta problemas e que a situação tem sido percebida por pessoas próximas.
“Já tem um tempo que meu filho não está bem. É visível o estado em que o Mauro chegou, todo mundo vê. É notório que ele adoeceu muito, ele tenta ser forte, ele tentar passar para as pessoas que está bem”, disse.
Na sequência, ela comentou sobre a pressão do meio musical e os impactos na vida pessoal do rapper: “A indústria musical é muito cruel, porque enquanto você está com música hypada, enquanto você está estourado… Você lança uma música e todo mundo vai lá e diz assim: ‘Ele é o número um do trap’. Mas o que adianta ser o número um se você está longe de você, se você se perdeu de você”.
Ao falar sobre o estado emocional do filho, Márcia se emocionou e chorou.
“Meu filho adoeceu, é notório. Hoje, não tenho o que fazer mais. Todos os dias eu luto. Quero que meu filho se entregue, que isso acabe logo. Ele também está com medo, ele também chora, ele também sofre. (…) Estou tentando ser forte, não estou interessada em ver meu rosto exposto”, declarou.
Por fim, ela pediu que o filho tenha uma oportunidade e questionou a possibilidade de prisão.
“Qualquer mãe faria o que eu faço, só queria que dessem uma oportunidade para o meu filho. Por que prender ele? Ele não é um criminoso, ele não é um bandido”, completou.
Entenda o pedido de prisão
A Justiça do Rio de Janeiro decretou, na terça-feira (3/2), novamente a prisão do cantor de funk e trap Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno. A decisão foi assinada pela juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, após o descumprimento das medidas cautelares impostas anteriormente ao artista.
Um dia antes, na segunda-feira (2/2), o ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), revogou o habeas corpus que mantinha Oruam em liberdade. Para o STJ, deixar a bateria da tornozeleira descarregar repetidas vezes inviabilizou a fiscalização judicial e indicou risco concreto à aplicação da lei penal.
Falha em equipamento
Oruam trocou a tornozeleira eletrônica no dia 9 de dezembro após falhas no equipamento anterior. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) a este colunista do Metrópoles. Segundo o órgão, o dispositivo substituído passou por perícia técnica, que identificou dano eletrônico, possivelmente causado por impacto.
Ainda de acordo com a Seap, a nova tornozeleira também apresenta problemas. O equipamento está desligado desde domingo (1º/2), o que impede o monitoramento do artista, que cumpre medida judicial com uso do dispositivo.
Em nota, a secretaria informou que Oruam compareceu à Central de Monitoração Eletrônica em 9 de dezembro, quando ocorreu a troca do aparelho. Após a substituição, o equipamento retirado foi encaminhado para análise técnica, que apontou avaria eletrônica.
Ainda conforme o órgão, o cantor utiliza tornozeleira eletrônica desde 30 de setembro. A partir de 1º de novembro, o sistema passou a registrar sucessivas violações, somando 66 ocorrências, sendo 21 consideradas graves apenas em 2026. A maioria dos registros está relacionada à falta de carregamento da bateria.
Segundo a Seap, todas as violações foram comunicadas ao Poder Judiciário, com envio de relatórios mensais à 3ª Vara Criminal. Após a troca do equipamento, o novo dispositivo também apresentou falhas por ausência de carregamento e permanece descarregado desde 1º de fevereiro, comprometendo o acompanhamento da medida judicial.








