
Lucas PasinColunas

Cacau Protásio denuncia desigualdade após sucesso em Avenida Brasil
Cacau Protásio diz que Zezé de Avenida Brasil ganhou o mundo, mas que retorno financeiro e espaço no mercado não acompanharam visibilidade
atualizado
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“Existe uma Cacau antes e depois de Avenida Brasil”. É assim que Cacau Protasio define sua carreira depois que a personagem Zezé caiu no gosto do povo, lá em 2012, quando a novela fez sucesso na Globo. De volta em formato de reprise na grade da emissora, o folhetim garantiu à atriz estabilidade profissional e fama para muito além do Brasil.
Em entrevista exclusiva a este colunista do Metrópoles, a atriz detalhou como o alcance da novela ultrapassou fronteiras e segue mobilizando o público mais de uma década após a exibição original. E, ao comentar a repercussão internacional do folhetim e o reconhecimento fora do país, Cacau destacou a identificação universal da trama e o papel das redes sociais na longevidade do sucesso.
“Acho que Avenida Brasil tem uma linguagem muito universal. Fala de vingança, de família, de amor, de traição, ídolo do futebol, de superação… são sentimentos que qualquer pessoa no mundo entende. E a Zezé, com aquele jeitinho dela, acabou atravessando fronteiras também. Recentemente, estive na Itália e fui reconhecida e em Portugal também, e o mais curioso é que muitas vezes são jovens, adolescentes de 13, 14 anos, que nem acompanharam a novela na época original. Isso mostra muito a força da internet, das redes sociais, do Instagram… tudo isso ajudou a ampliar ainda mais esse alcance da novela e da personagem pelo mundo”, afirmou.
Reconhecimento e disparidade
A atriz afirmou ainda que, apesar do reconhecimento fora do país, o retorno financeiro e as oportunidades no mercado ainda não acompanham essa visibilidade. O que, segundo ela, evidencia um cenário desigual.
“Sendo bem sincera, internacionalmente sou muito bem acolhida, principalmente em Portugal e em países da África. Toda vez que saio do Brasil, sinto esse reconhecimento de uma forma muito forte, inclusive profissionalmente. Mas, ao mesmo tempo, a gente ainda vive um cenário desigual. Quando falamos de mercado, principalmente para a mulher preta e para a mulher gorda, ainda existe uma disparidade muito grande em relação a oportunidades, visibilidade e remuneração. É um caminho que ainda precisa evoluir muito, e eu acredito que, com o nosso trabalho e a nossa presença, a gente também contribui para transformar essa realidade”, declarou.
Memória afetiva do público
Ainda no papo com a coluna, com a novela novamente no ar, Cacau também refletiu sobre o reencontro com a personagem e a permanência de Zezé no imaginário do público.
“É muito emocionante, de verdade. A Zezé foi um divisor de águas na minha vida. Quando a gente vê que, mesmo depois de tantos anos, o público continua lembrando, comentando, rindo. É sinal de que a personagem ganhou vida própria. Revisitar isso hoje é quase como reencontrar uma velha amiga que nunca saiu do coração das pessoas e nem do meu”, disse.
A atriz ainda dimensionou o impacto do trabalho em sua trajetória e reforçou a mudança de percepção do mercado após a novela.
“Com certeza existe uma Cacau antes e depois de Avenida Brasil. A Zezé me abriu muitas portas, me apresentou para um público gigante e mudou a forma como o mercado me enxergava. Foi um projeto muito importante, que me fortaleceu como atriz e me deu segurança para seguir minha trajetória com mais confiança”, completou.
Zezé pode voltar?
Por fim, Cacau comentou a possibilidade de retornar à personagem em uma eventual continuação da novela, com Avenida Brasil 2, que está prevista para janeiro de 2027. A atriz garantiu que ainda não recebeu contato oficial da emissora.
“Até agora ninguém me procurou oficialmente. Mas, sendo bem franca, teria muitos ciúmes se alguém interpretasse a Zezé no meu lugar (risos). A Zezé faz parte da minha história, é uma personagem que tenho um carinho muito grande. Se vier um convite, vou querer ouvir com atenção e respeito, porque acho que essa volta precisa estar à altura do que ela representa para o público e para mim também”, concluiu.






