Leo Dias

Produtora do Rock in Rio é xingada e expulsa de festa por seguranças

Dayane Couto disse que foi cercada por oito seguranças que a humilharam na frente dos convidados 

atualizado

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Rock in Rio/Divulgação
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1 de 1 Rock-in-Rio - Foto: Rock in Rio/Divulgação

A madrugada de segunda-feira (12/3) seria repleta de alegria para Dayane Couto. Após passar dias trabalhando na produção do Rock in Rio, a produtora foi a uma festa de encerramento da equipe, na área vip do evento. A felicidade do trabalho concluído, no entanto, foi substituída por um momento traumático sofrido por ela. Naquela noite, Dayane foi expulsa e xingada por oito seguranças da empresa Prosegur, que estavam no local.

Segundo a produtora, ela entrou na festa com mais outras pessoas e não foi revistada nem recebeu nenhuma pulseira – que mostraria que ela estava no local a convite de alguém -. Após algumas horas de festa, Couto foi cercada por oito seguranças que a xingaram desde o início da abordagem. “Me cercaram, me encurralaram e perguntaram sobre a minha pulseira branca (detalhe: soube depois que a pulseira da festa era preta, mas eles falaram sobre branca). Como não sabia de nada, respondi educadamente que não tinha pulseira, que tinha apenas a credencial de trabalho. Após a minha resposta, de forma bem estúpida e grosseira, um segurança careca simplesmente falou: ‘Não sabe que pulseira? Vai saber na cadeia. Você é penetra, anda, bora PIRANHA mete o pé.’”

Apesar da forma como estava sendo tratada, Dayane fez menção de ir embora para não piorar a situação. Quando tentou pegar sua mochila, que estava atrás de um dos seguranças, ela também foi acusada de tentar roubar o objeto – que era dela-. Após explicar que a mochila era dela e conseguir recuperá-la, ela ainda ouviu mais xingamentos, que não haviam parado. Tentando entender o motivo da abordagem grosseira, ela ouviu de resposta: “Tem que entender nada só vaza PIRANHA! VAGABUNDA!”

As agressões verbais não pararam por ali, mesmo quando a produtora já estava fora da festa. Em um desabafo, Couto afirma que ainda não entendeu o que aconteceu e porque foi humilhada e desrespeitada daquela forma. 

“Tô até agora sem entender… em estado de choque. Só de lembrar me dá vontade de chorar de nervoso e de vergonha, pois fui escorraçada e desrespeitada na frente de todo mundo da festa e saí escoltada por 8 homens vestidos de preto como se eu fosse uma criminosa”, comentou.

Em conversa com esta coluna, Dayane afirmou que já começou a tomar providências para que o caso não saia impune. Para isso, ela contratou uma advogada. Fontes deste espaço afirmam que, infelizmente, o desrespeito com as mulheres no meio da produção de eventos não é incomum e que o Rock in Rio não foi diferente. 

Atualização

Após a publicação desta matéria, a ProSegur, empresa responsável pela segurança do Rock in Rio enviou uma nota oficial para esta coluna. Segundo a empresa, a produtora não foi hostilizada ou agredida e teria sido retirada da Área Vip após ser identificada sem a pulseira necessária. A empresa afirmou que também repudia qualquer prática de violência e está de acordo com o Declaração Universal de Direitos Humanos da ONU.

“A SegurPro, empresa responsável pela segurança do Rock in Rio Brasil 2022, informa que durante uma festa privada promovida na madrugada de segunda-feira, dia 12/09, pela produção do Rock in Rio foram identificadas dezenas de pessoas que não tinham a pulseira que dava acesso à área VIP, as quais foram convidadas a se retirarem do evento, e assim transcorreu sem nenhuma intercorrência.

Especificamente sobre a alegação da produtora, informamos que a mesma foi abordada por uma colaboradora da SegurPro que atua na empresa há mais de 20 anos e conduzida à saída pela equipe de vigilância presente no local.

A empresa reforça ainda que os cerca de 2.000 vigilantes que atuaram no Rock in Rio são profissionais especializados, com certificação devidamente validada pela Polícia Federal para atuação em grandes eventos. E que ainda, especificamente foi realizada este ano uma capacitação focada na abordagem e condução de ocorrências de assédio e violência contra a mulher, ministrada por um instituto parceiro do evento.

A SegurPro aproveita o ensejo para reforçar que repudia qualquer tipo de agressão e desempenha suas atividades respeitando a legislação em vigor. A empresa destaca seu compromisso de atuar de maneira responsável regido pela política interna da companhia, que promove o respeito aos direitos humanos como elemento essencial no desenvolvimento de suas atividades e aplica em suas práticas os direitos previstos na Declaração Universal de Direitos Humanos da ONU”.

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