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Classe alta do Maranhão quer segregar parte de praia: “Separação natural”

Moradores se reuniram para encontrar formas de isolar o local de pessoas menos favorecidas

atualizado 29/07/2020 20:46

reprodução

Flávio Dionísio, proprietário do Bangallô Espettaria, na península da Ponta d’Areia, em São Luís, no Maranhão, causou revolta na população ao dizer em um grupo de WhatsApp que estava indignado pois havia percebido uma demanda de pessoas nada aceitáveis para os padrões sociais do estabelecimento frequentando o local. Ele ainda ressaltou que os garçons são orientados a não atender clientes que não se encaixam nos “padrões sociais”.

A página do estabelecimento no Instagram recebeu uma enxurrada de críticas e um grupo de moradores está planejando fazer um pagode com churrasco e farofa em frente ao local no próximo sábado (1º/8).

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Alguns habitantes da península se reuniram e criaram outro grupo, esse para encontrar formas de isolar o local de pessoas menos favorecidas financeiramente. Entre as ideias estão: a criação de um Passaporte Península e a entrada no local mediante a apresentação desse documento; isenção de visto para moradores de condomínios mais abonados da região e um visto simplificado para residentes de condomínios um pouco mais baratos e para pessoas de outros bairros – a ideia seria só dar o passaporte para quem passasse por uma entrevista com os moradores.

Getúlio Bessa, que reside no local, não concorda e acha um absurdo todo esse movimento para segregar parte da praia: “Moro há 16 anos aqui e não concordo nem em chamarmos de península, que é um nome mercadológico criado pelo setor imobiliário. O que me parece é que as pessoas querem criar uma política de segregação social da praia, que é um dos espaços mais democráticos que temos. Tantas coisas para nos preocuparmos, como o esgoto que corre a céu aberto, a falta de arborização, e eles estão preocupados em segregação. Mas, o fator principal não deveria ser esse e sim a pandemia, que parece que para eles desapareceu, e eles em vez de se preocuparem com a aglomeração, estão preocupados em segregar a praia”.

Procurado, Flávio Dionísio não atendeu as nossas ligações e não respondeu as mensagens.

Reportagem de Monique Arruda

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