"Caso raro": psicólogas analisam reações e a intensidade de Deborah
Sinceridade e segurança da artista em respostas a este colunista ganharam as manchetes dos noticiários de entretenimento

A sinceridade e a intensidade de Deborah Secco nas respostas a este colunista, na entrevista que foi ao ar no Metrópoles nesta quarta-feira (18/5), levou o nome da atriz ao topo do trending topics do Twitter, virou manchete principal nos noticiários de entretenimento e outros veículos.
A maturidade mostrada pela artista e o seu comportamento durante a conversa, sobretudo ao assumir o lado “piranha” do passado, é destaque de uma análise feita por duas referenciadas psicólogas neste espaço: as doutoras Maria Rafart e Leninha Wagner.
Rafart ressalta que todos as pessoas são dependentes, em maior ou menor grau, da aprovação alheia. Para a psicologia, o nosso ‘locus of control’ (lugar de controle, na tradução livre), deve estar preferencialmente dentro de nós mesmos. “Porém, muitas e muitas vezes esse controle está fora: é a aprovação ou reprovação do outro que conta”.
“Quanto mais dependente da aprovação que vem de fora, mais uma pessoa se submete àquilo que lhe é socialmente imposto, e pode muitas vezes anular seus próprios pontos de vista e comportamentos. Um dos pilares da inteligência emocional é saber dosar o que vem de fora com o que vem de dentro, e desse equilíbrio resultarem nossos pensamentos e nossas ações”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCaso raro de segurança absoluta dentro de si mesma
A profissional explica que para uma artista, cuja profissão depende justamente da aprovação e do apoio de seu público, “colocar o seu lugar de controle dentro de si mesma, examinar suas questões a fundo e não temer julgamentos alheios, é praticamente uma raridade”.
“A fala praticamente confessional de Deborah Secco na entrevista concedida a Leo Dias mostra grande maturidade, pois, mesmo dependendo profissionalmente do julgamento que a vida pública sempre lhe reservou, teve a coragem de admitir questões que uma sociedade machista insiste em colocar para baixo do tapete.
Ao colocar de forma lúcida a organicidade de seu próprio casamento, lembrando que os combinados podem e devem ser revistos por ela e o marido, sendo que o que mais importa é a honestidade entre ambos, ela deu um show de maturidade e de inteligência emocional. E mostrou com isso uma espécie de fórmula de longevidade da vida a dois. O tempo dirá se esta fórmula funcionou para Deborah e Hugo”.
Sexo e deslizes
“Falar abertamente sobre uma trajetória sexual, e confessar que, às vezes, ela foi errática, é para poucos. Ser humilde a ponto de admitir publicamente seus erros é mais raro ainda. Numa sociedade que privilegia sexualmente os homens, a eles é concedida uma espécie de perdão e esquecimento que é inimaginável para uma mulher. A própria Deborah afirmou na entrevista que a internet não perdoa deslizes sexuais femininos, e cobre com um véu muitas das escorregadas masculinas.”
“Ela sabe do risco que corre ao fazer essas afirmações: o famoso e temido cancelamento nas redes sociais. Os rincões da internet estão cheios de gente ressentida esperando ‘deslizes’ como este. Uma mulher com invejável inteligência emocional, corajosa e madura. Esta é a Deborah que se apresentou na entrevista”, analisa Maria Rarfart, formada em Direito pela UFPR e UEM, em Psicologia pela UTP e Mestre em Psicologia Forense pela UTP.
“Age com racionalidade sem abandonar a emoção” – analisa Leninha Wagner
A especialista e neuropsicóloga Dra. Leninha Wagner, diz que é preciso atravessar o tempo cronológico e “lógico” para ganhar maturidade e responsabilidade emocional, a ponto de “fazer revelações sobre seu próprio passado e maneira de viver, com a autocrítica necessária que traz autorresponsabilidade: ‘Eu estou no lugar em que me coloco’. Assumindo mudanças em meu comportamento que julguei” necessárias.
“Deborah Secco parece ter atravessado o ciclo vital com a dignidade dos grandes: humildade. Assumindo que escolheu muitos caminhos por intuição e agora quer agir com racionalidade sem abandonar a emoção. Tarefa difícil, caminhar com equilíbrio pelo meio termo. Isso exige mais que maturidade, exige sabedoria, para cortar na própria carne, assumindo que suas escolhas anteriores nem sempre foram as melhores e mais saudáveis. Aos seus fãs cabe ainda mais admiração por se revelar tão “humana e vulnerável” quanto nós. E aceitar que as vicissitudes e idiossincrasias humanas estão aí para transformar erros em acertos e tornar a caminhada rumo a maturidade, apesar de tortuosa, uma estrada bela e cheia de superações e aprendizados”.
Veja entrevista completa de Deborah Secco a LeoDias:
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