
Leo DiasColunas

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Acompanhar a vida de Whindersson Nunes, o maior humorista jovem do país, é praticamente assistir a uma daquelas novelas mexicanas que o SBT exibe à tarde. São muitas atitudes dramáticas e muito chororô. No capítulo de ontem, ele apagou todos os registros da ex Luisa Sonza, que passou a receber um ódio que não merece. Gente louca.
Mas entenda o tamanho da relevância do Whindersson: ele mudou a maneira de o brasileiro sonhar. Entenda a importância disso… antes dele, o sonho da juventude com apreço pelas artes era a TV Globo. O piauiense revolucionou a maneira de o brasileiro sonhar. Ninguém mais sonha em estrear na Malhação. Todos querem ser como ele, ter a história dele.
Whindersson fez com que tudo parecesse possível. O menino com uma câmera em cima de uma caixa de sapatos, sem sair do quarto, no lugar mais improvável do país, venceu todas as barreiras e se tornou o personagem mais querido da internet.
A atitude nos fez ir atrás de gente próxima a ele para entender o que há. Fato: há algo de muito sério na vida daquele que tem o maior alcance digital da América Latina. Ele não só mudou a história da internet no Brasil ao inspirar milhares de pessoas a produzirem seu próprio conteúdo como também mudou a maneira de se fazer humor no Brasil.
Mas falta algo simples: o cara que virou sinônimo da internet não tem o básico: a periodicidade. Isso gera hábito, e o hábito gera o engajamento. É muito simples de entender. Whindersson, simplesmente, se perdeu também nesse ponto.
Seu mais recente vídeo foi publicado dia 11 deste mês. O anterior, uma live, 18 de maio. Vinte e três longos dias sem postar. Para mim só tem um significado: falta de interesse. Mas o cerne do problema de Whindersson é muito maior do que esse. Até ele casar, a vida dele parecia um sonho. Depois da união, tudo mudou. Vamos aos fatos, não às suposições.
Para a primeira namorada, Whindersson fez canções como Tão linda, Overdose de você, O beijo que nunca te dei, entre outras. Já com Luisa, só uma canção, Girassol, que mais parecia um desabafo a Deus. Aliás, surgia ali os primeiros indícios de depressão. Ele compôs às lágrimas. A maioria ignorou o choro. Erro grave.
Todos acharam que era algo pontual, que logo passaria, afinal, ele era sinônimo de alegria. Perguntei a muita gente próxima a ele o que levou à separação do casal. E a resposta é a incompatibilidade. Um era o sol e a outra, a lua. O desejo, muitas vezes, precisa ser inatingível. É melhor ficar na prateleira.
Aliás, essa dualidade é o próprio Whindersson. No palco ele beira a genialidade. Conhecê-lo pessoalmente foi muito decepcionante. Tímido, calado e sequer olhava nos olhos. Mas os gênios são mesmo estranhos.
A questão é simples: esperava-se que ele superasse a separação com o humor, não com o vitimismo. Fazendo piada sobre o Vitão, não apagando fotos com a ex no Instagram.
Se o problema for, de fato, depressão, o estado é preocupante. Tomara que um dia ele leia este texto e saiba, exatamente, da gigantesca revolução que ele provocou nas artes e na sociedade. Ele precisa saber que viver é a melhor coisa da vida.
Ah, uma das táticas de Whindersson Nunes rumo ao sucesso, acredite, foi o vitimismo. Ele fez drama da vida permeando com o humor. Só que a dosagem precisa ser a certa. Demais, enjoa.



















