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“A gente quer ter muitas protagonistas negras”, diz Taís Araújo

A coluna procurou a atriz e conversou com ela sobre seu papel de fomentar a carreira de outros artistas negros na mídia

atualizado 08/07/2021 16:47

Fabiano Battaglin/Gshow/Divulgação

O perfil Circo Eletrônico, que resgata momentos da memória da televisão no Instagram, levantou um questionamento nesta quarta-feira (7/7): “Por que Taís Araújo é a única protagonista negra da TV Globo?”. A coluna procurou a atriz e conversou com ela sobre seu papel de fomentar a carreira de outros artistas negros na mídia.

Existe esse espaço que ocupo e que sou muito feliz, mas não acho que eu seja a única pessoa, atriz e profissional merecedora de estar nele. É um espaço para todas. Até porque a gente quer ter muitas protagonistas negras. Acho que a mudança não acontece com uma única pessoa, acontece quando impacta todo mundo e tem espaço para todo mundo. Esse é o Brasil que a gente quer ver. Um Brasil diverso”, disse ela.

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Ela ainda detalhou os motivos pelos quais as negros devem estar nas mesmas posições ocupadas por pessoas brancas. “Esse espaço também tem que ser ocupado por outras pessoas pretas por uma série de motivos. Temos atrizes capazes, competentes, inteligentes, mulheres lindas que merecem ocupar esse lugar. Quando olho, sinto falta de ver outras pessoas até pra que eu possa também olhar e me identificar, como telespectadora”, comentou Taís.

“Essa não é uma questão específica da Globo. Acho que nos streamings também. Agora a gente tem várias plataformas e quero ver mais mulheres negras protagonizando também nesses lugares, inclusive na Globo, junto comigo”, continuou ela.

“Nós somos múltiplas”

“Eu falo desse assunto há muitos anos nas entrevistas que dou. Estou sempre mostrando essas mulheres nas minhas redes. Até porque não existe só um tipo de mulher negra. Nós somos múltiplas e a gente precisa ver essa multiplicidade em protagonismo não só na televisão, mas também nas publicidades, nas capas de revista, em todos os lugares”, finalizou Taís.

A página Circo Eletrônico ainda relembrou que o autor João Emanuel Carneiro insistiu para ter Taís como Preta, a protagonista da novela Da Cor do Pecado. “Se ele não tivesse feito isso, era capaz da emissora ter colocado a Giovanna Antonelli”, escreveu o administrador do perfil, fazendo referência à novela Segundo Sol, ambientada na Bahia e com protagonistas brancos.

Na época da exibição original, em 2004, o nome da trama foi questionado e considerado racista por ser associado a sexualização de mulheres negras, além de remeter ao período de escravidão do Brasil, quando a cor negra representava uma espécie de castigo divino.

O jornalista Vinicius Torres Freire, da Folha de S. de Saulo, questionou os motivos da emissora adotar a expressão, citando a estupidez de naturalizar o preconceito e a indiferença das pessoas que vivem diante da televisão.

Com uma nova exibição, em 2021, o Canal Viva omitiu o título da trama na estreia e ao final do primeiro capítulo, a emissora inseriu uma cartela com a frase: “Esta obra reproduz comportamentos e costumes da época em que foi realizada”.

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